Vida Cristã

Escrito por Elton Melo

Um plano de vida de crescimento espiritual consiste simplesmente em programar as práticas da vida espiritual (oração, Comunhão, leituras, estudo…) de modo a garantir que sejam realizadas com ordem e constância. Esse plano tem dois aspectos:

1º) A definição do tipo de práticas espirituais que nos propomos a exercitar. Tanto o tipo quanto o número e a frequência dessas práticas não tem que ser o mesmo para todos: para uns, o plano consistirá em rezar algumas orações breves ao acordar e ao deitar e em ler diariamente o Evangelho, durante cinco ou dez minutos; para outros, além disso, o plano incluirá a Comunhão frequente e, diariamente, a meditação,  uma leitura formativa, o exame de consciência, etc. Dependerá das circunstâncias espirituais de cada pessoa.

Uma boa direção espiritual pessoal poderá aconselhá-lo sobre o tipo e o número de práticas que lhe convém em cada momento da vida, sobre a sua frequência e sobre a conveniência, lógica e natural, de ir aumentando-as um pouco, por um plano inclinado, à medida que a alma amadurece. Nesse aumento também não há regras fixas: cada pessoa é única.

2º) O segundo aspecto consiste em definir, de modo claro e concreto, em que dia e em que momento do dia cada prática será cumprida, ou seja, definir um horário, que garanta que o plano não fique inutilmente só no desejo abstrato, mas seja um meio eficaz de formação e de crescimento espiritual.

Leia mais: Tudo o que você precisa saber sobre: a leitura espiritual

Monotonia e Amor

1) A monotonia – “Fazer todos os dias as mesmas coisas é tão monótono!”, – é o que podemos pensar, – acaba tornando-se rotina, prática mecânica. Não seria melhor rezar, ler, comungar, buscar a Deus, só de vez em quando, nos momentos em que nos sentirmos mais dispostos, com mais condições de aproveitar esses meios, ou mais necessitados de Deus? O problema da “monotonia” ou da “rotina” não procede da repetição, mas do vazio de amor do coração. Talvez se entenda melhor tomando como referência um fato real:

Certa vez uma pessoa veio desabafar e pedir conselho. Nem tinha começado a falar, e já chorava. Quando lhe perguntei por que, respondeu: “Durante vinte anos, meu marido, todos os dias, ao sair de casa para o trabalho, se despedia de mim com um beijo. De dois meses para cá, ele sai sem nem avisar”. Andava mal aquele amor. Tão mal, que o drama da separação veio pouco depois. Havendo amor, a repetição da mesma prática diária não é rotineira. Isso é o que devemos procurar, e pedir a Deus: amor. “Mas… e se não sinto esse amor?”

2) Aí vem um segundo ponto. Será que amar a Deus é somente sentir? Quando uma mãe, fatigada e morta de sono, levanta três, quatro, cinco vezes à noite para amamentar ou acalmar o seu bebê, duvido que, naquele momento, sinta grande emoção ou alegria. Mas ela ama seu filho, e esse seu amor, – quer sinta, quer não sinta, em forma de emoção, – justifica todos os seus sacrifícios. O Amor pelas coisas divinas nem sempre é sinônimo de ter prazer. Mas como prática espiritual, o tempo mostrará a alegria da paz reinando seu seu coração.

Amar é “querer”

Amar é querer bem (o bem, o que é bom), custe o que custar. Pense um pouco nos sacrifícios que é capaz de fazer, nos compromissos a que não falta de jeito nenhum, nas despesas que não mede aquele que quer mesmo ficar rico, ou ganhar uma posição política elevada, ou satisfazer um prazer que o traz alucinado… Então? Deus não merece mais?Medite nisso e compreenda a importância de ter e seguir um plano de vida espiritual, definindo-o bem claramente, talvez até por escrito na sua agenda. Conheça algunus inimigos que tentarão fazê-lo desistir:

  1. O sentimentalismo egoísta e a autenticidade falsa;
  2. O engano de deixar para depois - tem gente que fala: “agora, na hora prevista no plano para a oração, não vou fazer; faço depois”. Quase sempre, esse “depois” não existe. É muito melhor, quando se prevê dificuldade, fazê-lo antes, ou seja, adiantar uma prática, se você prevê que não a poderá cumprir no horário previsto. 
  3. Desânimo e falta de convicção - isto é, achar que não serve de nada cumprir fielmente o plano, ao vermos que, por mais que o cumpramos não melhoramos como pensávamos. 

Pessoas simples mas que se dedicam a oração, e perserveram nas promessas de Deus, serão grandemente usadas por ele. 

Adicionar comentário


Código de segurança
Atualizar

Encontrou um erro de digitação? Por favor, selecione-o e pressione Ctrl + Enter.