Entendendo sua vocação

Este final de semana (28 a 30/10) foi muito especial aqui na Igreja Batista Independente de Curitiba. Recebemos o pastor Wilson Guimarães para nossa Conferência sobre Dons e mais de 80 pessoas participaram ativamente deste evento. Muitos ensinamentos, conceitos e informações nos foram repassados. Agora é colocar em prática. Uma frase, dita pelo preletor, pastor Wilson Guimarães, nos chamou atenção: "Quem não conhece sua vocação, desconhece sua missão".

Para isso precisamos compreender estes dois termos: vocação e missão. O texto de Efésios 2.10, diz que “somos feitura dele, criados em Cristo Jesus para boas obras, as quais de antemão preparou para que andássemos nelas.” Neste versículo, percebemos a vocação (criados em) e a missão (boas obras). Somente quando compreendemos o propósito para o que fomos criados, é que percebemos que nossa vocação (o que somos) tem tudo a ver com a nossa missão (como fazermos). Portanto, a missão geral de todo cristão e nosso objetivo na vida é praticar boas obras, que o próprio Deus preparou para que fizéssemos.

E quais são estas obras? Para quem são estas obras? Para Deus? No texto de Efésios 2.8-9 lemos que fomos salvos por meio da fé, e isso nos garante uma relação de amizade com Deus, uma vez que é um dom (presente) gratuito de Deus. Ora se a nossa relação com Deus é iniciativa dele, fica claro que ele não se relaciona conosco com base nas nossas obras (desempenho), mas pela nossa fé em Cristo Jesus. Portanto o nosso relacionamento com Deus não tem nada a ver com as nossas obras. Nosso relacionamento com outras pessoas, entretanto, no mundo onde Deus nos colocou, realmente envolvem nossas obras. Deus não precisa de nossas obras, mas o nosso próximo sim.

O propósito da nossa vocação é servir ao próximo, com os dons apropriados de cada vocação. Isso significa que eu te sirvo com meus dons e talentos, e você me serve com os seus. Mas isso não se dá por obrigatoriedade, mas, por amor. Neste tipo de relacionamento estamos reproduzindo o modelo de amor que existe na Trindade (Pai, Filho e Espírito Santo).

Nossa vocação não é uma ocupação única. Temos vocações em diferentes áreas – no trabalho, na família, na sociedade e na igreja. Afinal qual é minha vocação? Como descobri-la? Como encontrar a vocação certa para mim?

Vocação, tem a ver com algo que nos move, nos impulsiona, nos apaixona, gera em nós um sentimento de dever, de fazer algo. Mas devemos perceber que na doutrina cristã de vocação não devemos ficar nos perguntando o que escolher, o que vai dar mais certo. Em vez de “que ministério devo escolher?”. A questão central é “o que Deus está me chamado para fazer?”.

Nossa vocação não algo que escolhemos para nós mesmos. É algo para o qual fomos chamados. Por isso precisamos compreender e entender a nossa vocação senão corremos o risco de perder tempo, ou fazer algo para o qual não fomos chamados para fazer. Por exemplo, Paulo sabia que se desejo de pregar para os gentios não era um projeto pessoal, mas o cumprimento de um desejo que Deus havia lhe dado (Gálatas 1.15-16).

Mas se há alguma dúvida para o que Deus te chamou, tente responder as perguntas: Onde está minha paixão? Com o que eu mais me importo? Em que área gostaria de ver-me dando uma contribuição preciosa? As pessoas que fizeram a diferença, tanto em questões ministeriais como John Wesley, ou seculares como Thomas Edson, só chegaram lá porque perceberam a sua vocação e não se desviaram dela, antes aplicaram nela todos seus recursos.

Olha que estória interessante: Jorge e Antonio são recepcionistas na sua igreja local. Antonio chega antes das 18h15 todo o domingo (os cultos começam às 19h). Ele procura seu crachá e o coloca em evidencia. Ele examina o local de culto, os crachás dos demais obreiros, São quase 18h35 quando ele se coloca defronte a entrada principal e seu entusiasmo aumenta à medida que ele vê os carros chegando. Recebe as pessoas com um sorriso caloroso e saudações sinceras.

E há também o Jorge. Já são 18h55 quando ele chega. Decide ficar em pé na porta. E lá cumprimenta as pessoas com uma expressão vazia. Quando começa o louvor ele fica aliviado de poder voltar sua atenção ao culto.

Eles cumprem o mesmo papel na igreja. Antonio acha que sua função como uma forma de poder comunicar aos outros que eles são importantes para Deus, tem paixão por criar um ambiente agradável. Jorge não vê na função de recepcionista um bom emprego de seu tempo. Acha que qualquer um pode cumpri-la.

Eles são exemplos de pessoas que desempenham a mesma tarefa com motivações diferentes. Por quê? Um enxerga na função de recepcionista como uma necessidade da igreja, o outro a encara como nada mais que uma obrigação.

Um é menos espiritualizado do que o outro? Um é melhor do que outro? Não, eles são simplesmente diferentes! Eles têm paixões diferentes. Pense nisso e faça o seu melhor servindo ao Senhor e ao próximo.


Elton Melo, é pastor da Primeira Igreja Batista Independente de Curitiba, PR


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