Psicologia/Psicanálise

Escrito por Jairo Gonçalves

Motivação (do latim movere) é a força de vontade que move o sujeito para atingir o objeto desejado.Essa força ou energia nasce da "tensão emocional das necessidades". As necessidades são inatas (instintivas, reflexas) e adquiridas(aprendidas, reflexivas). Toda criança nasce desejante; depois, se torna pensante. Por isso, a tese: "Penso, logo existo" (com que Descartes definiu a consciência existencial), cedeu lugar para outra tese: "Sinto, logo existo" (Paschal - "O coração tem razões que a própria razão desconhece"). "O Homem é um eterno peregrino do desejo" (Psicanálise).

Motivação e Desejo conjugados, geram tensão emocional da necessidade (energia), que é a "força de vontade"(vulgarmente chamada de paixão e tesão). Motivação e desejo conjugados movem o Sujeito até ele atingir o Objeto que satisfaça seus apetites e tragam alívio das tensões das necessidades. Quando oobjetivo atingido satisfaz, o Sujeito volta ao estado de repouso (equilíbrio); quando não satisfaz, o Sujeito experimenta a frustração que gera ansiedade. Se o Sujeito for fraco de espírito, a ansiedadelevará a angústia que, se não for tratada adequadamente, levará à depressão.

Segundo as teorias do Interacionismo (ação entre, conf. Piaget, Wygotsky, Wallon), a força maior que faz o sujeito desejar e buscar o objeto (conhecimento e satisfação)vem de dentro do sujeito, e não do objeto externo. Isso condiz com a tese piagetiana: "A rigor, não são os estímulos externos que fazem o sujeito agir/reagir", e sim, o quantum de encaixes internos o Sujeito tem para que esses estímulos sejam atraentes, assimilados e se tornem energia interna motivadora.

Isso também condiz com estas teorias bíblico-filosóficas: "Sobre tudo o que deves guardar, guarda o teu coração, porque dele procedem as saídas da vida" (Pv 4:23). "Enganoso é o coração humano, mais do que todas as coisa, e é perverso: quem o conhecerá?" (Jr 17:9) . "O coração tem razões que a própria razão desconhece" (Paschal). "Não deis lugar (brecha, encaixe) ao diabo" (Ef 4:27).

As traduções da Bíblia, apresentam uma mistura (salada terminológica) das palavras coração, mente, alma e espírito. O Apóstolo Paulo ensinou que o ser humano é constituído de três dimensões: corpo (soma); alma(psiquê) e espírito(pneuma) (1Ts 5:23). Há motivações somáticas, psíquicas e espirituais, que, no senso comum reducionista são chamadas apenas de "motivações do coração".

Segundo a Psicanálise, o que governa e orienta o ser humano não é o consciente psíquico (1Co 2:14,15), e sim, oinconsciente ou espírito humano (Bíblia). É preciso conhecer as distinções entre motivações do coração (psique - consciente) e motivações do espírito (pneuma-inconsciente). ► Mas, como posso saber distinguir se os motivos que me impulsionam nas ações, atitudes e relações sócio-afetivas interpessoais e que me fazem crer, confessar, louvar e adorar o Deus-Pai, nascem mais da alma (coração/mente-Mt15:8) do que do espírito (pneuma-Jo 4:24)?

As pessoas religiosas governadas pelas motivações de alma (emoção e razão) são apenas "convertidas dealma" (Mt 11:28, Sl 103; Jo 4:22); não conhecem a "conversão de espírito" (Mt 11:29; Gl 2:20; 6:14.15).

Eis a pergunta, que incomoda: "Sou convertido de alma" ou "Sou convertido de espírito"?

Para entender e responder essa pergunta, transcrevo, abaixo, um trecho do cap. V.4.6, p. 72 do livro: "Evangelho da Glória da Cruz de Cristo" (publicado no site: www.jairogenoma.com.br):

Dois tipos de "crente" – 1Co 2:14-16; 3:1; 3:3.

O crente "mental" (psíquico) - "convertido (só) de alma" (1Co 2:14). Conhece apenas a "conversão meia-volta", que vira "volta e meia" (só alívios – Mt 11:28; louvor e adoração só de alma-Sl 103; Jo 4:22-24). É o crente carnalque conhece, apenas, a oração reza dirigida ao "Deus que está além das nuvens"; conhece só o "louvor de alma" (Sl 103:1), e adora o que não conhece (Jo 4:22), diante do trono do "deus das emoções" e da "prosperidade material", mas, não conhece a adoração de espírito do Deus Abba (Paizinho-Gl 4:6; Jo 4:26,27), "Diante do Trono do Cordeiro" (Jo 1:20; 1Pe 1:19-20; Ap 20:11).

O crente "espiritual" - "convertido de espírito" - 1Co 2:15. Experimentou a "conversão reviravolta", com "troca de jugo" e "reeducação da personalidade" (Mt 11:29). Conhece as realidades espirituais descritas em 1Ts 5:23; Mt 11:29; Jo 3:6: 5:24; Gl 2:20: 6:14. O convertido de espírito pratica boas obras e dá 100% da sua vida (Rm 12:1 e não apenas 10%-dízimo) não para ser salvo e receber bênçãos divinas, mas sim, porque já está salvo e tem à mão tudo que Deus-Abba já deu pelo divino poder (2Pe 1:3). O convertido de espírito é igual ao varão e à árvore descritos no Sl 1:1-3. A pessoa convertida de espírito está crucificada com Cristo (Gl 2:20; 6:14) por isso produz o fruto-ágape (1Co 13; 1Jo 4:18) e pratica "adoração de Espírito (Jo 4:23) diante do "Trono de Cristo", o "Cordeiro" (Jo 1:29; Ap 20:11) que foi imolado pelo Deus-Pai (em primeira instância), logo após surgir o Mal, porém, antes da criação de Adão e Eva e do pecado original (1Pe 1:20; Ap 13:8) para tornar a fraqueza de Deus em poderosa fortaleza (1Co 1:25; 2Co 13:4; Hb 5:2) e resgatar todo Poder e Autoridade. "Digno é o Cordeiro" (Ap 5:12).