Hiroo Onoda: um exemplo de perseverança e fidelidade

Hiroo Onoda, passou mais de 29 anos escondido nas matas de Lubang (Filipinas) e foi último soldado japonês a se render após o fim da Segunda Guerra Mundial, morreu em 16/01/2014 em Tóquio, aos 91 anos. Em sua morte, foi elogiado pelo governo japonês pelo seu forte desejo de viver.

Onoda era oficial numa unidade de inteligência do Exército Imperial Japonês, era um comando de elite durante a Segunda Guerra Mundial e foi enviado à Ilha de Lubang nas Filipinas em 1944 para conseguir informações de inteligência. Treinado em operações clandestinas, sua missão era infiltrar-se por trás das linhas inimigas, realizar vigilância e sobreviver independentemente até receber novas ordens. Ele fez exatamente isso pelos próximos 30 anos. Muito após a rendição japonesa em 1945, ele continuou a servir seu país na selva, convencido que a Guerra do Grande Leste Asiático ainda acontecia.

Durante anos, foram jogados panfletos de aviões e realizados outros esforços sem sucesso para convencê-lo de que o exército imperial havia sido derrotado. Onoda foi o penúltimo de muitos dos chamados "holdouts" repartidos por vários países do sudeste da Ásia, homens que simbolizavam a assombrosa e absoluta perseverança de quem foi chamado a lutar por seu imperador.

Suas inacreditáveis aventuras em Lubang são detalhadas no livro "Sem rendição: minha guerra de trinta anos", que narra uma epopeia, da qual o autor é o protagonista. O trabalho cobre um evento que foi objeto de atenções em todo o mundo diante da inusitada experiência vivida pelo tenente Onoda, a qual foi muito pouco documentada. O autor narra suas memórias dos trinta anos em que permaneceu internado nas selvas das Filipinas. Fora treinado como oficial de inteligência no curso de comando Futamata da Nakano School. Em dezembro de 1944, foi enviado à ilha Lubang nas Filipinas. Sua missão, descrita em nota do major Yoshimi Taniguchi, seu superior imediato, era manter-se vivo e preparar a resistência. “Isso pode levar três anos, pode levar cinco; mas, aconteça o que acontecer, nós vamos voltar até você”. Recebeu ordem para fazer qualquer coisa a seu alcance a fim de dificultar ataques do inimigo à ilha, inclusive destruir o campo de pouso e o cais no porto. Suas ordens também expressavam que, sob nenhuma circunstância, deveria se render ou suicidar. Estava no local quando a ilha foi recuperada pelos aliados em fevereiro de 1945, ao final da guerra. A maioria dos militares japoneses morreu, suicidando-se ou em combate, ou foi capturada por forças americanas. Onoda e outros homens; entretanto, esconderam-se na selva densa das montanhas da ilha.

Ele viveu principalmente comendo bananas e mangas, esquivando-se de equipes japonesas de busca e da polícia filipina, que ele pensava serem todos espiões. Em março de 1974, aos 52 anos, um japonês colega de infância conseguiu fazer contato com Onoda, que mesmo assim não acreditou e foi necessário que antigo superior, major Taniguchi, fosse à ilha com instruções e ordens que o liberavam de seus deveres militares. Após um breve retorno ao Japão, ele mudou-se para o Brasil e tornou-se um bem-sucedido pecuarista. Voltou ao Japão na década de 1980 e criou a Escola Natural Onoda, com o objetivo de ensinar as crianças os valores da vida. Leia alguns pensamentos de Onoda, que o influenciaram a organizar a escola:

Se você tem um peso nas costas, alguém precisa tirá-lo de você. Precisamos de amigos. O sentimento de pertencer nasce com a família e mais tarde inclui amigos, vizinhos, comunidade e país. É por isso que a ideia de uma nação é tão importante.

É melhor nunca acordar de alguns sonhos. Em Lubang, eu acreditava estar defendendo o Japão ao transformar a ilha numa fortaleza, da melhor forma que eu podia, com meus dois camaradas, Shimada e Kozuka. Quando os dois morreram, eu continuei minha missão sozinho. Quando a Segunda Guerra Mundial terminou para mim em 1974, meu passado todo parecia um sonho.

As pessoas não podem viver completamente sozinhas. Se você tem dúvidas sobre isso, apenas imagine estar completamente só. Poderia encontrar toda a comida, fazer uma fogueira, costurar suas roupas e tomar conta de si mesmo quando estiver doente ou machucado? Conseguiria sozinho?

Deve-se ter sempre em mente o dever cívico. Todos os minutos de cada dia, por 30 anos, eu servi meu país. Nunca cogitei se isso era bom ou ruim para mim como indivíduo.

A história é escrita pelos vencedores. Desde o fim da Segunda Guerra Mundial, a história japonesa ensinada em nossas escolas foi baseada num programa norte-americano para promover a culpa de guerra e a propaganda esquerdista. Eu não culpo os Estados Unidos por isso. Eles queriam enfraquecer o Japão, e sua missão está cumprida; japoneses educados após o fim da guerra não têm qualquer confiança em sua cultura ou em si mesmos.

O Japão foi forçado a participar da Segunda Guerra. As potências ABCD (América, Grã-Bretanha, China e Índias Orientais Holandesas), impuseram sansões tão fortes contra o Japão que não tínhamos como importar óleo, aço ou nada. Iríamos morrer ou ser invadidos e escravizados.

Os líderes políticos japoneses eram sábios no passado. Todas as nações asiáticas exceto a Tailândia e o Japão foram colonizadas. No nosso caso, o xogunato Tokugawa fez uma transição tranquila para o primeiro governo Meiji, para salvar-nos da colonização.

Após ter queimado a língua em sopa quente, você sopra até sushi frio. É dessa forma que o governo se japonês agora se comporta para com os EUA e outras nações. Somos tão cuidadosos e deixamos os outros devorar tanto; mas mesmo assim eles sempre querem algo mais do Japão.

Sem um grande choque, os dormentes e ignorantes japoneses nunca irão acordar. A situação hoje é similar àquela que de 1853, quando os navios negros do Comodoro Perry chegaram. A menos que os mísseis Nodong e Taepodong voem sobre nossas cabeças, não faremos nada para nos defender.

Pais devem criar crianças mais independentes. Quando eu vivia no Brasil na década de 1980, eu li que um japonês de 19 anos matou seu pais após ser reprovado no vestibular. Eu fiquei pasmo. Por que ele tinha matado os pais ao invés de sair de casa? Eu acho que ele não tinha confiança o suficiente. Eu acho que esse é um sinal de que os japoneses estão ficando muito fracos. Eu resolvi voltar para o Japão e estabelecer uma escola para dar mais poder às crianças.

Homens nunca devem desistir. Eu nunca desisti. Odiaria perder.

Homens nunca devem competir com mulheres. Se competirem, os homens sempre perderão. É porque as mulheres têm muito mais perseverança. Minha mãe me disse isso, e ela estava certa.

Nunca reclame. Quando eu reclamei, minha mãe disse que se eu não gostava da minha vida, que desistisse e morresse. Ela me lembrou que quando eu estava em seu ventre, eu disse a ela que queria nascer, e então ela me deu a luz, me amamentou e trocou minhas fraldas. Ela disse que eu tinha que ser corajoso.

Pais devem se lembrar que eles devem morrer antes dos filhos. Ninguém irá ajudá-los depois disso, então o maior presente que os pais podem dar aos filhos é a independência.

A vida não é justa e as pessoas não são iguais. Algumas pessoas comem melhor do que outras. Em nossa escola, as crianças participam de jogos de sobrevivência. Por exemplo, eles devem preparar seu próprio jantar com os ingredientes que encontrarem. Trocas são permitidas, mas mesmo assim algumas crianças fazem um banquete em comparação com outras.

Nós, cristãos, podemos aprender com exemplos de homens como o oficial Onoda. Não devemos esmorecer e nem nos rendermos ao inimigo de nossas almas até que o nosso comandante supremo, Jesus Cristo, nos chame para sua glória. Estamos alistados no exército do Deus vivo e a luta, aqui na terra, só termina quando soar o clarim.


 Fonte: São Paulo Shimbun, g1.com.br e outros sites


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