Eclesiologia - alcancevitoria | 2016

Escrito por Alcance Vitória

Morar em Esmirna no primeiro século não seria fácil para o discípulo de Jesus. Além das perseguições pelos judeus, eles enfrentavam uma ameaça mais organizada e mais poderosa. A idolatria oficial, juntando a religião à força do governo, prometia uma perseguição perigosa aos cristãos da cidade, tentando-os a abandonarem a sua fé para melhorar as suas circunstâncias ou até para evitar a morte violenta. Para vencer esta tentação, teriam que acreditar no poder daquele que já venceu a morte. Mesmo se morressem, as suas vidas eternas seriam garantidas somente se mantivessem sua confiança no eterno Senhor, "o primeiro e o último, que esteve morto e tornou a viver”. Leia a série completa: Cartas às sete Igrejas

Enquanto que Éfeso e o período do 1º Selo, Esmirna foi selada com o Segundo Selo (Ap. 6). Todas as cartas foram seladas. O significado do seu selo é Cheiro Suave. Aroma adocicado. Esmirna é a mesma coisa que Mirra. Sua Região Geográfica frequentemente foi devastada por terremotos, mas sempre reconstruída. Em 1688 foi quase totalmente destruída por um terremoto que matou 5000 pessoas. Esta Igreja foi fundada possivelmente por Paulo. Contudo, a perseguição intensamente promovida pelos Judeus, pelos Romanos e pelos Turcos. Veja a lista dos imperadores romanos e seus feitos conta a Igreja:

  • TRAJANO – 98 a 117 – Era uma ofensa capital todo aquele que perseverasse no Cristianismo. Permitia o tumulto popular contra os cristãos.
  • ADRIANO – 117 a 138 – Nos jogos e espetáculos populares permitia-se a destruição dos cristãos, mas só aqueles que estivessem convictos.
  • ANTÔNIO, O PIO – 136 a 161 - Permitiu a revolta da população contra os cristãos com o emprego de todos os tipos de violências. Justino Mártir foi morto nessa época.
  • MARCO AURÉLIO – 161 a180 – Os filósofos acusam os cristãos de crimes horríveis, tais como banquetes com carnes de crianças mortas, incesto, etc. Foi um dos mais terríveis períodos da perseguição religiosa.
  • COMODO - 180 a 192 – Era comum o suplício dos cristãos.
  • SEVERO - 193 a 211 – Os presidentes tinham liberdade para perseguir e matar os cristãos.
  • ALEXANDRE SEVERO - 222 a 235 – Constantes torturas.
  • MAXIMINO - 235 a 238 – Atrocidades.
  • DÉCIO TRAJANO - 249 a 251 – Pior período da perseguição. Éditos terríveis.
  • GALO - 251 a 253 – Os cristãos foram acusados como responsáveis pela existência das calamidades e pestilências.
  • VALERIANO - 253 a 260 – Cristãos foram proibidos de realizar reuniões. Foi decretado a morte de muitos deles.
  • AURELIANO – 270 a 275. Foi o único dos imperadores romanos que não encontramos registro de atrocidades. Pelo menos não há registros históricos.
  • DIOCLECIANO - 284 a 305 - O Terrível.

ANÁLISE DOS VERSÍCULOS

Estas coisas diz o primeiro e o último (8): Jesus começa esta carta com as palavras de 1:17, frisando a sua eternidade.

Que esteve morto e tornou a viver (8): Quase igual a afirmação de 1:18, esta frase destaca a vitória sobre a morte na ressurreição. Na situação dos discípulos de Esmirna, encarando perseguições difíceis, seria especialmente importante lembrar da ressurreição de Jesus. O Senhor deles não fracassou diante da morte; ele a venceu! Eles, sendo fiéis, teriam a mesma esperança. Identidade do Autor da Carta. O Senhor Se identifica como sendo o Primeiro e o Último. Ninguém, nem antes nem depois d'Ele. É exclusivo. Insubstituível. Singular. Apesar de perseguida ferozmente, essa Igreja sem dúvida se mantinha firme com a presença do Filho de Deus no meio do fogo das aflições.

Conheço a tua tribulação (9): Jesus, no meio dos candeeiros, viu o sofrimento de seus seguidores. Da mesma maneira que ele se compadeceu dos angustiados na terra durante o seu ministério (veja Marcos 1:41), ele olhou com compaixão para aqueles que sofriam em Esmirna. Mesmo assim, ele não os poupou de toda a dor, como veremos no versículo 10. A palavra “tribulação”, aqui, significa pressão que vem de fora. Jesus claramente disse que conhecia a sua Tribulação, Pobreza (mas era rica). Caluniada pelos que se diziam judeus e não eram. Esta perseguição durou ate o Século IV. Era uma Igreja que possuía riquezas espirituais muito valiosas do que as perecíveis. E como se não bastasse teve que enfrentar os falsos judeus. O Senhor tem o conhecimento integral da realidade dessa igreja. Pobre, mas verdadeiramente rica. Entretanto, a Sinagoga de Satanás se instalara sub-repticiamente nela. O Partido organizado de Satanás entrou de forma velada. O Judaísmo fanático e traidor foi uma desgraça para a Igreja de Deus. Movimentou muitas perseguições às igrejas fundadas por Paulo, culminando com a morte de todos os apóstolos, menos um – João trancafiado e exilado na ilha de Patmos .

A tua pobreza (mas tu és rico) (9): Apesar de morarem numa cidade próspera, os cristãos em Esmirna eram pobres. Provavelmente sofriam discriminação por causa da fé, e assim se tornaram pobres. É bem possível, também, que tivessem sacrificado seus recursos em prol do evangelho, como os macedônios fizeram para ajudar os irmãos necessitados alguns anos antes (veja 2 Coríntios 8:1-9). Mas a pobreza material não tem importância quando há riqueza espiritual (veja 3 João 2). A situação dos discípulos em Esmirna era muito melhor do que a da igreja em Laodicéia, que se achava rica apesar de sua pobreza espiritual (3:17).

A blasfêmia dos falsos judeus (9): Blasfemar é falar mal. Freqüentemente, refere-se a blasfêmia contra Deus. Aqui, porém, a blasfêmia é um aspecto do sofrimento dos crentes em Esmirna. Esta difamação veio de pessoas que se chamavam judeus mas, de fato, não eram verdadeiros judeus. Os judeus, que tiveram uma sinagoga em Esmirna, perseguiam os cristãos. Ao invés de serem verdadeiros judeus e descendentes espirituais de Abraão (veja João 8:39-47; Romanos 2:28-29), eram servos de Satanás, o principal mentiroso e acusador dos fiéis (12:9-10; João 8:44).

Não temas as coisas que tens de sofrer (10): O conforto oferecido por Jesus não é o livramento do sofrimento. Ele anima os discípulos em Esmirna a não desistirem diante das tribulações que viriam logo. Covardes não têm esperança em Cristo (21:8). Pessoas que fogem da sua responsabilidade diante de Jesus por medo de sofrer não são dignas da comunhão com ele. Pessoas que ensinam que o servo fiel será próspero e livre de sofrimento nesta vida não acreditam nas palavras que Jesus mandou à igreja em Esmirna!

O diabo está para lançar em prisão alguns dentre vós (10): O diabo é visto como a fonte da perseguição. Alguns seriam presos, provavelmente aguardando julgamento e possível morte.

Para seres postos à prova, e tereis tribulação de dez dias (10): O efeito da tribulação seria o de provar a fé desses cristãos. A sua lealdade a Cristo seria testada sob ameaças de morte. Mas a perseguição não continuaria para sempre. Dez dias sugere um tempo curto mas completo. Seria uma provação completa, mas teria um fim.

Por ter vínculos tão fortes com a idolatria oficial de Roma, Esmirna se tornou uma cidade perigosa para os cristãos. Esta carta fala sobre perseguições que viriam. Até décadas depois do Apocalipse, perseguições atingiram seguidores de Cristo na cidade.

Sê fiel até à morte (10): O fim desta perseguição, para alguns, poderia ser a própria morte. Mesmo assim, deveriam ser fiéis. Às vezes, arrumamos qualquer desculpa para não fazer algo que Deus pede. Mas nada, nem a nossa própria vida, deve ser mais importante do que a nossa fidelidade a Deus.

E dar-te-ei a coroa da vida (10): A palavra “coroa” (grego, stephanos) refere-se à coroa de vitória. A coroa da vida vem de Deus, o único que pode dar a vida (veja João 5:26; 14:6; 1 João 1:1-2). Aqueles que amam a vinda de Jesus receberão a coroa da justiça (2 Timóteo 4:8).

Quem tem ouvidos, ouça o que o Espírito diz às igrejas (11): Como em todas as cartas às igrejas, Jesus chama os destinatários a ouvirem a sua mensagem. O vencedor (11): Aqueles que permanecem fiéis diante das perseguições são vencedores com Cristo. De nenhum modo sofrerá dano da segunda morte (11): Não sofreria o castigo eterno (20:6,14; 21:8). Os perseguidores poderiam até causar a primeira morte, mas os fiéis não sofrerão a segunda morte (veja Mateus 10:28).

O falso judeu e suas pretensões blasfemas caracterizavam-se como falsos religiosos professos. O verdadeiro judeu (Rm. 2:28 e 29) fora bem definido neste enxerto das Escrituras. Todos aqueles que se dizem, via de regra, não são. Na verdade a conotação daqueles que se dizem servir a Deus, realmente servem a Satanás. Pertencem a Sinagoga de Satanás e sua composição (Mat. 3:6-7). Foram muitas as conspirações organizadas. Blasfêmia e calunias marcaram esse tempo. Cidades inteiras foram incendiadas com seus habitantes. A História registra nominalmente os três monstros do Império Romano, a saber e nesta ordem: Diocleciano, Galério e Maximiniano. Galério foi aquele que pronunciou com fealdade a frase mais discriminadora com relação à fé crista:
"Supertitione Christi Ubique deleta". (Em todos os lugares foi apagado a superstição de Cristo).

Coitado. Enganados estavam aqueles monstros. Eram três monstros, mas uma só besta. Era o 4º animal feio e terrível que Daniel vira na visão do capítulo 7 do seu livro em franca atividade. Apesar disto tudo, a Igreja Cristã sobreviveu triunfante com Cristo, que saiu vencendo e para vencer através de seus filhos fiéis.
Verso 10 – Blasfémia - Calúnia - a Deus e aos homens. Provações e sofrimentos foram a porção e a sorte da igreja profetizada para este período escatológico. . Tribulação de 10 dias. A Perseguição que aguardava a Igreja prefigurada para os 303 a 313, ocorreu quando o imperador Diocleciano, depois de compreender a excelência moral dos cristãos que se espelhavam em Cristo, fê-lo entender que o Cristianismo era uma força destruidora de tudo o que consistia o gênio pagão romano. Por isso resolveu também apagar o nome de Cristo da História. (Mt. 10:22; Lc 21: 16-17; At. 9:16 e Jo. 16:1).

Qual o objetivo de Deus na prova e na aflição? "Ele não permite que aflição nenhuma sobrevenha à igreja, senão unicamente a que é necessária para a sua purificação, seu bem presente e eterno. Purificará Sua Igreja assim como purificou o templo no princípio e no fim do Seu Ministério na Terra. Tudo o que Ele trás sobre a Igreja em forma de provações e aflições, fá-lo para que o Seu povo adquira mais profunda piedade e mais força para levar a todas as partes do mundo as vitórias da Cruz" (Test. Seletos - III – 392). "Baldados foram os esforços de Satanás para destruir pela violência a Cristo e a Sua Igreja. O grande conflito em que os discípulos de Jesus rendiam a vida, não cessava quando a estes fiéis porta-estandartes tombavam em seus postos. Com a derrota, venciam. Os obreiros de Deus eram mortos, mas a sua obra ia avante com firmeza. O evangelho continuava a espalhar-se, e o número de seus aderentes aumentava. Penetrou em regiões que eram inacessíveis, mesmo às águias romanas." "Milhares eram aprisionados e mortos, mas outros surgiam para ocupar as vagas... Seu vívido exemplo e testemunho ao morrerem era constante atestado à verdade; e, quando menos se esperava, os súditos de Satanás estavam deixando o seu serviço, e alistando-se sob a bandeira de Cristo" (Conf. Séculos 41 / 42)

Foi o período em que a igreja foi mais odiada. Seus membros eram perseguidos. Policarpo foi queimado vivo no ano 156 AD - embora fosse sábado, os judeus carregaram feixes de lenha para queimar vivo a Policarpo. Nessa época de uma só vez foram queimados 1500 cristãos e de outra feita 800. Apesar de suas perseguições, porém o cristianismo está vivo.

Policarpo (69 -155) foi o bispo de Esmirna (Turquia) que foi morto no início do segundo século. Morreu como um dos mártires vítima da perseguição romana aos oitenta e seis anos. Convivera com o escritor de Patmos e com os demais apóstolos durante a Igreja Primitiva. Aprendeu direto dos apóstolos. Policarpo foi discípulo do apóstolo João, e teve a oportunidade de conhecer os apóstolos que conviveram com o Mestre. Ele se tornou um exemplo íntegro de fé e vida, sendo respeitado inclusive pelos adversários. Dezesseis anos depois, Policarpo foi escolhido e consagrado para ser o ancião de Esmirna e para a Ásia Menor, tendo sido investido pelo próprio apóstolo João, o Evangelista. Quando foi instado a renunciar a sua fé para salvaguardar seus bens, a resposta de Policarpo foi: "Servi ao meu Jesus por 50 anos e Ele não falhou para comigo um só dia. Como poderia traí-Lo agora"? Este período da Igreja foi considerado pelos historiadores como sendo a Idade do Martírio. O Clímax sanguinolento com Diocleciano em 284-305. Pobreza abjeta. Período do confisco. Em 250 Décio decretou a supressão universal dos cristãos, por meio da tortura e morte. Leia mais sobre a vida de Policarpo de Esmirna

Não temas... Tens de sofrer (Verso 10). Foram dois séculos em que os cristão estiveram constantemente submetidos ou sujeitos a probabilidade de súbita prisão e morte. Esse período foi marcado por uma verdadeira chacina. Tribulação de DEZ DIAS – 303-313; período em que Valeriano e Galério governaram e conduziram a maior e/ou a mais implacável campanha de aniquilamento e morte dos cristãos. Política de extermínio da Igreja.

No Concílio de Nicéia - em que os pastores (bispos) vieram com seus corpos mutilados, com olhos e braços arrancados, fora do seu encaixe, numa prova de que foram alvos da mais severa brutalidade e violência. Corpos horrivelmente mutilados. Foi no ano de 313 - que Constantino se "converteu" ao Cristianismo. Transição de Esmirna para Pérgamo. Da perseguição passou para a popularidade. No Édito de Milão Constantino legalizou a situação da Igreja. Direito iguais para todas as religiões. Isenção do clero do serviço civil e militar. Imunidade para não pagar impostos de suas propriedades e isenção de todos os demais impostos. Foi no ano 313 que Constantino proclamou a liberdade dos cristãos; e aí a Igreja que antes era Apostólica agora passou a ser: Igreja Católica Romana.

Este foi o cenário da Igreja de Esmirna: Esta cidade sobrevive ainda hoje com o nome de Izmir. No Fim da Carta, Aquele que foi morto, mas vive fez a seguinte promessa ao vencedor. "Se fiel até a morte e Eu te darei a coroa da vida" Além dessa promessa o vencedor ainda conta com a certeza de que não passará pela segunda morte. A morte eterna. Aquela que será pelos séculos dos séculos. Aqueles que provarão essa morte serão como se nunca tivessem existido por toda a eternidade. Eternamente perdidos. Para sempre. A recompensa foi redigida de forma apropriada como a recompensa a todos aqueles que vivenciaram as dolorosas atrocidades vividas no período de Esmirna e é perfeitamente confiável. Contudo, nunca nos esqueçamos de que as promessas de Deus são sempre dirigidas ao vencedor. Ao que permanecer fiél até o fim.

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