Embora essa palavra seja encontrada no texto original em grego da Nova Aliança, ela não vem do grego, mas do aramaico. Quase tudo na Lei e nos Profetas (Tanakh) é escrito em hebraico, exceto por algumas partes que estão em aramaico, a maioria das quais estão em Daniel. A palavra “maran” significa Senhor, e “atha” significa venha.

Conforme afirma Robert Hastings Nichols, “O protestantismo luterano e o reformado concordaram no princípio central da Reforma: O Sacerdócio de todos os crentes, a possibilidade do pecador dirigir-se ao seu Deus, pessoalmente, sem intermediários, exceto Jesus Cristo”. [1] O Sacerdócio universal de todos os crentes é um dos princípios que Deus tem mais zelo na dinâmica de Sua Igreja, ao longo dos séculos, mas parte significativa dos líderes religiosos teima em deixá-lo de lado. A inobservância de tal princípio, possivelmente, é dentre todos, o que mais tem trazido mal à Igreja do Senhor Jesus, aqui na terra. O nepotismo, a corrupção e o clericalismo, próprios da Igreja Romana Medieval, que de alguma forma ainda se manifestam nos dias atuais e a perda da visão espiritual da Igreja Cristã do primeiro século têm muito a ver com a não observância do sacerdócio universal de todos os crentes.

Um dos grandes benefícios do Sacerdócio Universal de todo o Crente, é o livre acesso à presença de Deus. O apóstolo Paulo escreveu em Efésios 3.8-13,  as maravilhosas oportunidades de ter acesso a multiforme sabedoria de Deus, por meio de Cristo Jesus (O Cristo ressurreto), deu-nos livre acesso ao trono da sua graça.  Isso nos dá algumas vantagens excepcionais: nós não precisamos marcar audiência ou fazer fila para falar com Deus. Como filhos de Deus, temos o grande privilégio, o direito, a ousadia de entrar na presença de Deus a qualquer momento. A qualquer hora do dia ou da noite, podemos ter acesso a Deus. Cristo nos concedeu acesso direto ao Pai, para recebermos toda a misericórdia e graça que necessitamos, não importando quais as circunstâncias.

Chegando-vos para ele, a pedra que vive, rejeitada, sim, pelos homens, mas para com Deus eleita e preciosa, também vós mesmos, como pedras que vivem, sois edificados casa espiritual para serdes sacerdócio santo, a fim de oferecerdes sacrifícios espirituais agradáveis a Deus por intermédio de Jesus Cristo. Vós, porém, sois raça eleita, sacerdócio real, nação santa, povo de propriedade exclusiva de Deus, a fim de proclamardes as virtudes daquele que vos chamou das trevas para a sua maravilhosa luz. (1 Pedro 2.4-5,9)

No Antigo Testamento os sacerdotes ofereciam sacrifícios e intercediam pelo povo. O que os sacerdotes eram para Israel, Israel, como comunidade do reino de Deus, deveria ser para as nações: se diligentemente ouvirdes a minha voz e guardardes a minha aliança, então, sereis a minha propriedade peculiar dentre todos os povos... vós me sereis reino de sacerdotes e nação santa (Êxodo 19.5-6). Deus predisse: vós sereis chamados sacerdotes do Senhor, e vos chamarão ministros de nosso Deus (Isaías 61.1). Na interpretação do Novo Testamento, esta profecia se cumpre sob dois aspectos: (1) Jesus Cristo é o grande sumo sacerdote (Hebreus 4.14) e (2) todos os crentes partilham deste sacerdócio (1 Pedro 2.4-9). O princípio da igreja como uma comunidade de sacerdotes foi defendido pelos reformadores e nos faz refletir o quanto é importante para a nossa vida como cristãos nos dias de hoje.

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