Homens

Escrito por Elton Melo

Precisamos resgatar o papel de pai, tão "fora de moda" na nossa sociedade. Temos visto, com algumas exceções, uma grande quantidade de homens que tem tido o privilégio de gerar filhos, mas que não estão agindo coerente ao papel esperado por um pai. Nossa sociedade sofre de um grande mal: a falta de paternidade e isso têm gerado diversos conflitos nas pessoas. Ao nos voltarmos para a Palavra de Deus, podemos resgatar a essência deste importante papel: ser pai. Na bíblia podemos encontrar os fundamentos necessários para o exercício de uma paternidade segura e efetiva: perdoar, reconciliar, respeitar, incluir e amar.

É imprescindível recuperar o conceito de um Deus Pai tendo como exemplos a vida e o ministério de Cristo. Os textos do evangelho revelam claramente um relacionamento filial entre Jesus e o Pai (Mt 11.27; Mc 14.36; Jo 1.14, 3.35, 5.19,36, 6.39,57, 10.24; Rm 8.15; Gl 4.6). Nestes textos, vemos as reais características de um Pai: criador, sustentador, educador, perdoador, acolhedor, cuidador e cheio de afeição e de afetividade. Há, aqui, três importantes lições bíblicas:

Primeiro, relacionamento. Na oração do Pai Nosso, ensinada por Jesus a seus discípulos, (Mt 6.9-15; Lc 11.2-4), Jesus nos ensina sobre a importância do relacionamento com o Deus Pai: um pai que cuida, acolhe individual e coletivamente, mas é Pai que inclui com afetividade todas as pessoas; A violência familiar tem aumentado a crise de autoridade e vemos isso se reproduzindo nos demais relacionamentos. A pós-modernidade tem provocado diversas, rápidas e profundas transformações. Nosso tempo é marcado por individualismo, competição e consumismo. A família e a sociedade tem sofrido. Mas tudo começa a melhorar quando compreendemos a importância de nos relacionarmos corretamente com o nosso Deus pai e assim fazemos.

Segundo, cuidado. Jesus enfatiza aos seus ouvintes a importância do cuidado e da provisão do pai aos filhos. "Qual dentre vós é o pai que, se o filho lhe pedir pão, lhe dará uma pedra? Ou se pedir um peixe, lhe dará em lugar de um peixe uma cobra? Ou, lhe pedir um ovo lhe dará um escorpião? Ora, se vós, que sois maus, sabeis dar boas dádivas aos vossos filhos, quanto mais o Pai celestial dará o Espírito Santo àqueles que lho pedirem" (Lc 11.11-13). De forma extraordinária Jesus nos mostra o coração amoroso de seu Pai, que oferece dádivas a seus filhos e filhas. As portas do Pai estão abertas;

Terceiro, dignidade. Ao relatar a parábola do filho pródigo (Lc 15.11-32), Jesus enfatiza o aspecto principal da relação pai-filho. Nesta parábola, vemos as virtudes de um pai que não abandona o filho que o abandonou e o acolhe, perdoa-lhe, reintegra-o na vivência familiar e oferece-lhe dignidade por meio de atos concretos: lavar, roupa nova, sandália nos pés e anel no dedo. E ainda nos revela que há uma grande festa pelo regresso do filho ao lar,  "porque este meu filho estava morto e reviveu, estava perdido e foi achado. E começaram a regozijar-se” (Lc 15.24).

Conclui-se que é necessária uma volta à Palavra de Deus, buscando valorizar o papel da paternidade e levar isso para dentro do ambiente do lar. Ao compreendermos o papel de Deus pai e sua relação conosco, nos ajuda a experimentar da sua provisão e cuidado e, ao mesmo tempo, nos capacita a desfrutar da dignidade de sermos seus filhos. Isso é a graça (tudo para quem nada merece), de Deus em prática da nossa vida, nos capacitando a amar, perdoar, reconciliar, dialogar, respeitar. É importante lembrar que amor é ação e não meramente um pensamento. Para que a paternidade na terra (entre pai e filho) possa ser efetiva, é essencial desfrutar da paternidade celestial (João 1.12). Feliz dia dos Pais!