Zebulom: tribo de guerreiros

Zebulom foi o décimo filho de Jacó e o sexto de sua primeira esposa, Lia, filha de Labão. Seu nome e o da tribo gerada por sua descendência, em hebraico, significa “casa exaltada” ou “honrada”. Era uma tribo numerosa na época da peregrinação dos hebreus pelo deserto rumo à Terra Prometida. Quando a tribo de Zebulom partiu do Egito contava 57.400 homens capazes de pegar em armas. Aproximadamente 40 anos mais tarde, o número de guerreiros elevava-se a 60.500. o território cedido a Zebulom, na Terra da Promissão, ficava de certo modo entre o mar de Tiberíades e o Mediterrâneo (Gn 49.13). 

De Zebulom foram separados milhares de homens para a função de guerreiros, que protegiam os hebreus quando acampavam pelo deserto, além de terem contribuído muito na conquista da Terra Prometida contra os canaanitas. Seus combatentes eram frequentemente elogiados pela bravura e eficiência. Os zebulonitas também foram muito importantes na formação do exército de Israel quando Davi se tornou rei. Eram 50 mil os soldados daquela tribo nessa época (1 Crônicas 12.33), que se destacavam por sua perícia.

Notáveis Guerreiros. A tribo de Zebulom produziu guerreiros corajosos. Dez mil homens de Naftali e de Zebulom atenderam a convocação de Baraque para lutar contra as forças sob o comando de Sísera. (Jz 4:6, 10) Depois da vitória, Baraque e Débora cantaram: “Zebulom era um povo que desdenhava a sua alma até a morte.” (Jz 5:18) Entre os que apoiaram Baraque havia zebulonitas “que manejam o equipamento de escrevente”, evidentemente encarregados de contar e alistar os guerreiros. (Jz 5:14; compare isso com 2Rs 25:19; 2Cr 26:11.) Zebulonitas também se juntaram ao juiz Gideão em resposta à sua convocação de guerreiros. (Jz 6:34, 35) Entre os apoiadores de Davi havia 50.000 zebulonitas, homens leais que não tinham “coração dúplice”. (1Cr 12:33, 38-40) Durante o reinado de Davi, os zebulonitas evidentemente tiveram uma participação notável na subjugação dos inimigos de Israel. — Sl 68:27.

Atitude Para com a Adoração Verdadeira. Na segunda metade do oitavo século AEC, alguns da tribo de Zebulom humilharam-se e acataram o convite do Rei Ezequias, de Judá, para participar da celebração da Páscoa em Jerusalém. (2Cr 30:1,10, 11, 18, 19) Séculos mais tarde, em cumprimento da profecia de Isaías (Is 9:1, 2), Cristo Jesus pregou no território do antigo Zebulom e parece ter encontrado ali ouvidos atentos. — Mt 4:13-16.

Mencionado em Visões. Na visão de Ezequiel, a designação de território de Zebulom ficava entre Issacar e Gade (Ez 48:26, 27), e um dos portões da cidade “O Próprio Senhor Está Ali” levava o nome de Zebulom. (Ez 48:33, 35) O apóstolo João, em visão, ouviu que haviam sido selados 12.000 da tribo (espiritual) de Zebulom. — Rs 7:4, 8.

À tribo de Zebulom foram dadas as terras do norte do vale de Jezreel, à beira do Mediterrâneo. A proximidade com o mar fez dos zebulonitas exímios navegadores mercantes, o que os enriqueceu bastante, além da prática da pesca – daí, no centro de seu brasão, haver o desenho de grandes barcos:

“Zebulom habitará na praia dos mares e servirá de porto de navios, e o seu limite se estenderá até Sidom.” Gênesis 49.13

Além da questão portuária, outro trecho bíblico sobre a tribo diz algo bem interessante em relação à exploração dos recursos naturais litorâneos:

“De Zebulom disse: Alegra-te, Zebulom, nas tuas saídas marítimas, e tu, Issacar, nas tuas tendas.

Os dois chamarão os povos ao monte; ali apresentarão ofertas legítimas, porque chuparão a abundância dos mares e os tesouros escondidos da areia.” Deuteronômio 33.18,19

A “abundância dos mares” é facilmente relacionada à pesca. Já os “tesouros escondidos na areia” referem-se a um fato curioso: as areias das margens de um rio local chamado Belo eram apropriadas como matéria-prima na fabricação do vidro. Os fenícios, também grandes navegadores mercantes e fabricantes de vidro, podem ter passado aos zebulonitas a arte da fabricação do produto, já que ambos os povos tinham uma intensa troca comercial e cultural.


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