História dos Batistas Independentes

Para entendermos o nosso contexto denominacional, precisamos buscar as nossas raízes na Suécia no fim do século XIX. Ainda dentro do período chamado de Grande Século Missionário, encontramos iniciativas missionárias do Norte da Europa para as terras da América do Sul. Particularmente, em nosso caso, da Suécia para o Brasil. A Missão de Örebro, organizada em 1892, faz parte da história missionária como a mais forte das missões suecas, devido à sua ênfase em missões transculturais e a uma média de um missionário para cada grupo de cem membros.

A. Os Batistas na Europa

A origem dos batistas como uma denominação própria vamos encontrar na Inglaterra no século XVII. Existem diversas teorias sobre as raízes do movimento batista. Alguns conseguem ver uma linha quase que ininterrupta do tempo dos apóstolos aos batistas de hoje. Há aqueles que defendem a teoria JJJ, que vêem a origem dos batistas em Jesus (João-Jordão-Jesus). Outros preferem buscar as origens em grupos separatistas ao longo da história. A herança dos anabatistas é comprovada pela maioria. É a partir da Inglaterra que o movimento se espalha, tanto para os países vizinhos, como para as colônias inglesas. No século XIX, encontramos a igreja batista presente na maioria dos países e começa um avanço missionário também para outras regiões.

À América do Norte os batistas chegam, através da imigração, no século XVII, estabelecendo colônias e igrejas. O crescimento foi acelerado principalmente na primeira metade do século XIX. Segundo estatísticas da época, havia em 1844 mais de 720.000 batistas com quase 9.400 igrejas locais. Enquanto a Europa vivia época de crise e pobreza, os imigrantes europeus que se aventuraram à América do Norte têm melhores condições. Já em meados do século XIX os batistas americanos enviam ajuda financeira às igrejas batistas européias. Na Europa é maior o número de batistas nos seguintes países: Inglaterra, Suécia, Alemanha e Rússia. Nestes, a porcentagem em relação à população e os demais evangélicos é considerável.

B. John Ongman (1845 – 1931)

John Ongman é o fundador da Missão de Örebro. Destacamos alguns dados biográficos:Nasceu em um piedoso lar luterano no norte da Suécia em 1845. Através do testemunho de um amigo, converteu-se em 1864 e foi batizado numa igreja batista que tinha sido organizada em 1859. Seu batismo deu-se num dia muito frio e foi necessário abrir um buraco no gelo para que ele pudesse ser realizado. De profissão, Ongman era soldado como seu pai. Casou-se pela primeira vez em 1865 com Kristina Anderson.

Devido às dificuldades financeiras na Suécia Ongman, assim como outros suecos, imigrou para os Estados Unidos, em 1868. Ongman logo iniciou entre os imigrantes suecos, uma igreja batista, sendo pregador leigo. Conseguiu, em 1871, comprar terra em Minnessota e liderou um trabalho batista que se estendeu pela região de Anoka. No mesmo ano faleceu sua esposa. No ano seguinte conheceu a filha do pregador John Eriksson, Minnie Eriksson, com quem se casou. No ano de 1875 eles se mudaram para Chicago para pastorear uma pequena igreja batista sueca e estudar teologia no Union Theological Seminary.

Em 1881 Ongman voltou a Minnessota, fixando residência em Saint Paul. Participou da organização da Convenção Batista Sueca nos EUA, sendo um dos líderes. Em 1890 ele voltou a Suécia a convite de uma igreja batista em Örebro. Organizou no ano de 1892 a Sociedade Missionária de Örebro e iniciou escolas bíblicas abertas tanto para homens como para mulheres. Ficou viúvo pela segunda vez, casando-se novamente em 1894 com Hanna Holmgren.

No ano de 1894 foram feitas as primeiras tentativas de envio de missionários ao exterior. Um missionário veio ao Brasil (Adolf Larsson), mas faleceu logo após sua chegada, por ter contraído febre amarela. Um casal (Gustaf Norling e esposa) foi enviado ao norte da África, à Tunísia, onde trabalhou durante dois anos, sem maior sucesso.

Em 1908 foi fundado o Seminário Teológico de Örebro e foram enviados os missionários C.E. Sjogren para a Índia, em 1980, e Erik Jansson para o Brasil, em 1912, que foram os primeiros missionários a permanecerem nos seus respectivos campos. 

John Ongman liderou o movimento missionário de Örebro até o final de sua vida em 1931, como um trabalho integrado na Convenção Batista Sueca. Mas as divergências já vinham sendo problemáticas desde a fundação da Sociedade Missionária Batista em 1892, e depois da morte de Ongman a Convenção Batista se dividiu em duas partes quase iguais. Uma ficou fiel à Convenção e a outra se organizou definitivamente numa denominação própria.

C. A Sociedade Missionária de Örebro

Já vimos a história que originou a Missão de Örebro. A intenção não era a formação de uma nova denominação, mas despertar, dentro do seio batista sueco, um interesse maior por missões transculturais. Três aspectos caracterizavam a Missão de Örebro desde seu nascimento:

  1. Forte ênfase em missões, sendo este o objetivo principal da cooperação das igrejas que integram o quadro da Missão.

  1. Aceitação do movimento carismático/pentecostal com incentivo à experiência de “batismo no Espírito Santo”.

  1. A abertura para o ministério feminino. Desde as escolas bíblicas em 1892 e o Seminário fundado em 1908, existia um espaço reservado para as mulheres. Inicialmente para o trabalho de evangelistas e missionárias, mas, na década de1960 também para a função pastoral.

D. Campos missionários

A Missão de Örebro mantém trabalho nos seguintes campos (o ano do início entre parênteses):

Na Ásia: Índia (1908), Nepal (1955), Paquistão (1960), Tailândia (1969), Bangladesh (1973), Afeganistão (1974), Camboja e Laos (1991).

Na África: Congo (1914), República Centro Africano (1923) e Sudão (1978).

No Mundo Muçulmano: Tunísia (1983), Omã (1992)

Na Europa: França (a972), Áustria (1985), Iugoslávia (19981) e Grécia (1992).

Na Oceania: Papua Nova Guiné (1977).

Na América do Sul: Brasil (1912), Paraguai (1984) e Peru (1992).

Os campos acima são os que ainda possuem missionários enviados pela Missão, existindo ainda alguns países onde há cooperação com outras organizações missionárias sem pessoal sueco.

E. Situação atual da Missão de Örebro

Depois de cem anos de trabalho e muitas vitórias acabou uma época de nossa denominação na Suécia. A Missão de Örebro passou por um processo e se transformou em algo novo. Uma Assembléia Anual em maio de 1996 decretou a extinção da Missão nos moldes que existia até ali.

Já fazia alguns anos que a Missão vinha dialogando com uma outra denominação de cunho batista uma unificação das duas denominação. A intenção era reunir esforços, economizar na parte administrativa e, principalmente, demonstrar a unidade do povo de Deus de forma visível e pratica. As duas denominações estavam muito próximas em praticamente todas as questões, seja de ordem doutrinária, prática ou visão missionária.

Assim sendo, as lideranças das duas denominações entenderam que não era apenas possível a fusão, mas também seria recomendável que assim se procedesse. A Assembléia Geral da Missão de Örebro aprovou com larga margem de votos. Dos 526 delegados presentes, 499 votaram a favor da unificação, 10 votaram contra e 17 votaram em branco. A Assembléia da outra denominação foi realizada em junho de 1996 e também aprovou a unificação que foi efetivada em outubro de 1996.

As duas denominações eram batistas e tinham vocação missionária. A Missão de Örebro mantinha aproximadamente 150 missionários em 20 diferentes países com uma membresia de 22.000 membros em 270 igrejas. A outra denominação HF/FB, já era fruto de uma fusão entre duas outras denominações: A Igreja da Santificação (HF – também Batista) e os Batistas Livres (FB) que haviam se unido alguns aos antes. Com aproximadamente 7.000 membros em 130 igrejas, esta missão mantinha 100 missionários em 18 países. A nova denominação criada a partir dessa fusão chama-se InterAct (algo que poderia ser traduzido por integração ou interação) e nasceu com uma vocação missionária e intenção de expandir o trabalho missionário pelo mundo.

A nova denominação possui, entretanto, uma preocupação muito grande com os jovens suecos. Já há algumas décadas as igrejas têm uma membresia com uma idade média muito alta e são poucas as igrejas que têm um bom número de jovens. Além disso, o envolvimento dos jovens com missões têm sido muito pequeno. Há uma necessidade de um reavivamento no fervor evangelístico das igrejas suecas e uma retomada no crescimento que as caracterizou nos início do século passado.

Como continuidade do trabalho da Missão de Örebro, a InterAct prima pelo preparo teológico com curso superior e de pós-graduação em Örebro, e um curso intensivo de missões, iniciado em 1977, ainda pela Missão de Örebro. A InterAct canaliza verbas, tanto do governo sueco como recursos angariados na sociedade, para projetos sociais nos campos missionários.

II. BRASIL – A PRIMEIRA TENTATIVA DE EVANGELIZAÇÃO

Foi no ano de 1893. Muitos suecos haviam imigrado para o Brasil em 1885, chegando ao Estado de São Paulo, onde se fixaram. Entre eles havia um, John Asblom, que enviou, em 1892, uma carta ao pastor Ongman, presidente da Sociedade Missionária de örebro, pedindo-lhe que enviasse um missionário para trabalhar entre os imigrantes que haviam chegado àquele Estado. A carta dizia ainda da grande oportunidade de se pregar o evangelho ao povo brasileiro.

Por ocasião da Escola Bíblica realizada em Örebro em 1893, um jovem chamado Adolf Larsson, com fervor e entusiasmo, ofereceu-se para vir ao Brasil. No mesmo instante foi aceito o seu oferecimento e logo enviado pela Junta Missionária de Örebro para o trabalho em São Paulo.

Num encontro durante a viagem com um missionário inglês, o jovem Larsson combinou em permanecer com ele no Rio de Janeiro, durante alguns dias, a fim de realizar um trabalho missionário naquela cidade.

Grassava na época a febre amarela, mas, apesar de advertido a não permanecer ali ante o perigo de contágio, o missionário ficou ainda quatro dias, trabalhando no porto entre os operários, com distribuição de tratados e folhetos, tempo suficiente para ser contagiado com a terrível moléstia, que o abateu em São Paulo, embora John Asblom tivesse tomado todas as providências necessárias e procurado os recursos disponíveis.

Estava finda a primeira tentativa de evangelização.

III. UMA CARTA DO RIO GRANDE DO SUL

Passaram-se anos. Depois da morte de Adolf Larsson nada mais foi feito pela evangelização do Brasil.

No ano de 1911 chegou à Suécia uma carta do Brasil, endereçada ao jornal batista de Örebro “Tribuna Sueca”, assinada por Anders Gustaf Anderson. Era a vez do Rio Grande do Sul.

O redator do jornal encaminhou a carta ao PR John Ongman, que tomou conhecimento do seu conteúdo, considerando-o como um grito macedônio: “Passa para cá e ajuda-nos”.

Entre outras coisas dizia Anderson: “Agora outro assunto: diversos suecos vos saúdam e perguntam se não seria possível daí de Örebro nos mandarem um missionário. Não temos nenhum guia, ninguém que nos pregue o Evangelho. Quando imigramos para cá, fazem dezenove anos, havia entre nós não poucos crentes, mas agora eles não são nada, os filhos estão sendo criados em trevas e na idolatria. Cremos que, se alguém viesse para cá e começasse um trabalho espiritual, muitos se despertariam e acordariam”.

Mais adiante diz ele: “Queridos irmãos, não esqueçais o Brasil. Havemos de receber os missionários e fazer tudo o que estiver ao nosso alcance para ajuda-los. Não perigo para os que vierem... Faz três anos que o missionário Frasson nos visitou, mas lemos no vosso jornal que ele já faleceu... Ele prometera nos mandar um missionário, mas a sua morte desfez os planos... Amigos: orai por nós para que venha a brilhar a luz de Deus nesta escuridão e "sombras da morte” em que estamos. Tenho orado a Deus. Que ele venha em nosso socorro a fim de ficarmos preparados para encontrar Àquele que tem dito: ‘Eis que cedo venho!’.

A carta foi lida por Ongman. Estava bem evidente que algo deveria ser feito. Mas onde estava aquele que deveria ser enviado? E o assunto foi alvo de muita oração e meditação.

IV. DEUS COMISSIONA UM HOMEM

Erik Jansson era estudante no Seminário de Örebro. Deus o havia chamado para a obra missionária. Ele mesmo narra sua experiência de como Deus o dirigiu e fê-lo compreender a sua vontade, com relação ao trabalho no Brasil:

“Foi no dia 27 de outubro de1911 que resolvi ir ao escritório do Pr John Ongman a fim de comunicar-lhe que me sentia chamado por Deus para ir à China pregar o evangelho após a conclusão de meus estudos. O pastor Ongman, ao ouvir o meu sentimento acerca da China, levantou-se pôs a mão sobre o meu ombro, e disse: ‘Irmão Jansson, tu irás ao Brasil’. Respondi-lhe, como é natural, que não poderia ir a um lugar para o qual Deus não me havia mandado. Nesta altura o pastor Ongman me entregou uma carta, dizendo: ‘Toma esta carta; lê-a e ore a Deus’. Eu não podia negar-lhe o pedido. A carta era do Brasil, escrita por Gustav Anderson.

Voltei para casa onde me achava hospedado e lá, sozinho no quarto, comecei a leitura. O seu conteúdo, porém, não modificou meu sentimento e quando a devolvi ao Pr Ongman, respondi-lhe que iria à China e não ao Brasil. Todavia, continuei a orar sobre o assunto, do que resultou para mim em profunda crise espiritual da qual jamais me esquecerei.

Na noite do dia 23 de novembro, tive um encontro maravilhoso com Deus e comecei a compreender que deveria ir ao Brasil com a mensagem do evangelho e não à China. No dia seguinte, ao descer as escadas para a aula, senti como que uma voz a me dizer: “Tu irás ao Brasil”. No mesmo instante fiquei tão alegre que os meus colegas, admirados, me perguntavam o que acontecera. Foi uma repercussão em todas as classes de aula.

Quando o pastor chegou para iniciar a aula, trazia consigo a carta do Brasil. Leu-a perante todos, perguntando se alguém estaria pronto a seguir para o Brasil. Então levantei-me e disse-lhe: “Pastor Ongman, agora estou pronto para ir ao Brasil”, contando-lhe, a seguir, minha experiência da noite passada e a que tivera na escada, há poucos instantes. Essa decisão alegrou imensamente o velho pastor”.

A. Preparativos

Resolvido o assunto do primeiro missionário para o Brasil, restava esperar ainda a conclusão do curso no Seminário que só se daria daí a um ano – na primavera de 1912. Entretanto, todos os preparativos visavam um só alvo: a evangelização do Brasil.

Uma coisa estava, porém, a preocupar o novo missionário: o seu sustento. A Junta Missionária não poderia garantir-lhe um ordenado fixo e o que os irmãos no Brasil poderiam dar-lhe para o sustento era ainda incerto. Sobre o assunto narra o irmão Jansson uma conversa que mantivera com o pastor Ongman, nos seguintes termos:

“Quando na primavera de 1912 me achava pronto para viajar para o Brasil, perguntei ao Pr Ongman quem me sustentaria. Ele me respondeu: “Irmão, terás de ir pela fé. Todavia prometemos fazer p que estiver ao nosso alcance, e oraremos por ti.”

B. A Chegada

Com a promessa do Reverendo Ongman e o dinheiro necessário para a viagem e o sustento nos primeiros meses de trabalho, o jovem missionário Erik Jansson deixou a sua Pátria com destino a Porto Alegre, aonde chegou no dia 15 de junho de 1912.

Ali permaneceu dois meses e meio, por falta de verba para viajar para o interior. Ele mesmo narra o fato da seguinte maneira: “Fiquei hospedado na casa do Rev. Dustan durante dois meses e meio, porque o dinheiro tinha acabado e precisava esperar até que algo viesse da Suécia. É-me grato dizer que a família do Rev. Dustan tudo fez para que eu, novo no Brasil, passasse o melhor possível”.

O adágio popular de que “todo o começo é difícil”, é também aplicável à vida de um missionário que inicia um trabalho em terra estranha, especialmente quando há falta de recursos financeiros. Mas o jovem missionário não desanimou, enquanto esperava trabalhava na obra. Além de tomar parte nos cultos da Igreja Batista, ele visita a os suecos realizando cultos de evangelização em sua língua. Disse ele: “Visitei quase todas as famílias suecas da cidade. Algumas pessoas se converteram a Cristo”.

C. Rumo ao interior

Recebida a verba da Suécia, o missionário podia continuar sua viagem rumo ao interior do Estado ao encontro dos irmãos Anderson. No dia três de setembro de 1912 chegou a Ijuí. Fazendo como o apóstolo Paulo, visitou seus patrícios, anunciando-lhes as Boas-Novas. Visitou as famílias Hammastrom e Persson, além de outras, as quais se converteram ao Senhor.

Realizou cultos para grande alegria de muitos.

No dia 12 de setembro chegava finalmente ao seu destino, ou seja, a casa do autor da carta, irmão Gustav Andersson. Ali foi iniciado definitivamente o trabalho do Senhor, tornando-se a casa do irmão Andersson o centro de todas as atividades. Sobre isto escreve Erik Jansson: “Realizávamos cultos dentro da pequena casa ou ao ar livre, sentindo sempre a presença de Deus. Logo comecei com uma escola primária para os filhos dos suecos, mas pouco a pouco matricularam-se também crianças brasileiras, polacas e alemãs. Cheguei a ter quarenta alunos”.

D. Reforços para a obra

Humildemente, e com poucos recursos, foi iniciada a obra. Entretanto, é sempre necessário que o que se inicia continue, progrida e estenda-se. E assim foi. Durante dois anos, Erik Jansson trabalhou sozinho. Mas chegou o dia alegre quando recebeu reforços. Foi o da chegada dos missionários Carlos Svensson e Anna Mamlm, esta noiva de Erik Jansson. As possibilidades de um trabalho mais efetivo aumentaram. Dois anos depois chegou Carlos Wellander. Em 1919 chegaram Carlos e Estela Sundbeck e Ester Martensson a qual se casou com Carlos Wellander.

E. Estende-se a obra missionária

Com a constante chegada de novos missionários, o trabalho começou a se estender para outras direções dando cumprimento ao que disse o profeta Isaías: “Amplia o lugar da tua tenda e as cortinas das tuas habitações se estendam; não o impeçais; alonga as tuas cordas e firma bem as tuas estacas” (Is 54.2).

Auxiliados eficientemente por um grande número de obreiros nacionais, os missionários organizaram igrejas. No dia 17 de janeiro de 1914, os primeiros convertidos, Oscar e Emma Beckmann, foram batizados, sendo organizada em seis de setembro do mesmo ano a primeira igreja da Missão.

Em Ijuí foram batizados sete irmãos suecos organizando-se a Igreja em janeiro de 1915 e dali, sucessivamente outras igrejas foram sendo organizadas no Estado do Rio Grande do Sul e, posteriormente em outros Estados da federação.

Lançando um olhar retrospectivo sobre os anos passados, o coração se inclina reverentemente perante o Senhor da Seara, cheio de gratidão pela misericórdia revelada, ao mesmo tempo em que uma oração nascida do fundo do coração anelante e com o pensamento nos dias futuros e na necessidade das futuras gerações se eleva aos céus, juntamente com o profeta do Velho Testamento: “Aviva, ó Senhor, a tua obra, no meio dos anos!” (Hc 3.3).

V. CONSOLIDAÇÃO

Com o crescimento do trabalho logo outros missionários vieram para o Brasil sendo que em 1922 já eram cinco as famílias de missionários aqui residentes.

O trabalho se expandiu por várias cidades do Rio Grande do Sul. Em 1919 foi organizada a Convenção Batista Riograndense, que na realidade era mais uma sociedade missionária, dirigida pelos missionários e não uma convenção como temos hoje. Os primeiros obreiros nacionais não eram chamados de pastores e sim de evangelistas.

Apenas em 1949 se resolve sair do RS, surgindo assim os trabalhos de São Paulo, Água Rasa (1949), Jundiaí (1951) e Campinas (1953).

A. Surge a Convenção Batista Independente

Após uma frustrada tentativa em 1939 por parte dos obreiros nacionais que foi duramente disciplinada pelos missionários, sendo que alguns obreiros até deixaram a Missão; em 1952 o ambiente é mais propício e – os pastores brasileiros já se articulavam desde a primeira tentativa – foi aprovada a fundação da Convenção das Igrejas batistas Independentes do Brasil (CIEBIB). Dos missionários, apenas um votou a favor.

A primeira diretoria era composta assim: Presidente, Pr Pedro Falcão, Secretário, Pr. Noé da Silva e Tesoureiro, Missionário Erik Jansson (apesar de não haver votado a favor da Convenção).

Apesar da disputa aparente e o nacionalismo reinante, o relacionamento até hoje tem sido cordial e de cooperação.

B. Período de 1952 – 1972

A partir de 1952 a Convenção começa a enviar os primeiros missionários nacionais para outros estados. Para o Estado de Santa Catarina é enviado o Pr. Pedro Falcão para a cidade de Canoinhas. Também é enviado para a cidade de Santa Rosa o Pr. Alcides Orrigo.

Na década de 50 também é atingido o oeste paranaense consolidando o trabalho entre os descendentes de alemães ali residentes. A região central do estado também foi atingida com a inauguração do trabalho em Monte Alegre (hoje Telêmaco Borba) e em Ponta Grossa.

Neste período a evangelização era feita em tendas armadas especialmente para as cruzadas evangelísticas. Algumas das cruzadas enfrentaram oposição feroz da igreja católica, com ameaças até de morte. Os métodos de hoje podem ser diferentes, novas estratégias, etc., no entanto, não podemos perder essa coragem e ousadia e quem sabe, até mesmo, resgata-la.

Na década de 60, a expansão atingiu os estados de Goiás, Bahia e Paraíba e com planos estratégicos mais elaborados; na década de 70 são tinidos outros estados do nordeste, Distrito Federal e Mato Grosso.

O importante desse período foi a disposição finalmente sair do RS, depois de anos de acomodação.Toda uma geração sem espírito missionário e empreendedor fez com que expansão fosse tão lenta e sofrida.

Desse período alguns nomes merecem destaque pela importância missionária:

Pr. Pedro Falcão, pioneiro em Santa Catarina, Paraná e Alta Sorocabana.

Pr. Edvaldo Santana Couto, pioneiro na Bahia.

Pr. José Félix, pioneiro no Nordeste.

Missionário John Waldemar Sjoberg, pioneiro em Sorocaba e Santos.

Missionário Nils Peter Skore, pioneiro em Campinas.

Pr. João de Almeida, pioneiro no Brasil Central.  

Pr. Joel de Jesus Braga, pioneiro na região de Brasília.

Pr. Noé Valêncio da Silva, pioneiro em Curitiba.

Missionário Arne Johnsson, pioneiro no oeste catarinense e entre os índios.

Certamente outros nomes mereceriam a citação mas espaço ao permite. Deus lhes tem reservado um galardão pelo seu esforço e dedicação.

C. EDUCAÇÃO TEOLÓGICA

No início do trabalho os únicos preparados do ponto de vista teológico eram os missionários. Com o surgimento de obreiros nacionais sentiu-se a necessidade de um preparo, e as primeiras tentativas e limitaram a encontros anuais de treinamento. Houve tentativas frustras do envio de alunos para estudarem em seminários do Rio de Janeiro e Belo Horizonte. Em 1945 numa escola bíblica é lançada a idéia de um curso por extensão, para suprir os campos que já começavam a exigir. Em 1949 cria-se o curso por correspondência que atendeu toda uma geração de pastores.

Apesar da preocupação com a formação de obreiros nacionais, havia também um receio por parte dos missionários de entregar a liderança de trabalhos aos brasileiros. Tanto que no início os brasileiros eram evangelistas enquanto os pastores eram os missionários. Este problema praticamente todas as denominações passaram, sendo que a Assembléia de Deus foi a que mais rapidamente se contextualizou. A isso deve-se seu rápido crescimento.

Com a organização da Convenção em 1952, cria-se o Instituto Bíblico, que a princípio tem sede em Ijuí, transferindo-se em 1953 pra a cidade de Rio Grande onde fica até 1967 com a inauguração do Seminário Teológico Batista Independente em Campinas.

A importância da formação dos obreiros dando-lhes preparo para o ministério tem se mostrado vital para a denominação, assim com o reverso também é verdadeiro; quando se abandona o ensino os resultados fatalmente aparecem mais tarde com a falta de pastores para suprir as igrejas.

De início o STBI oferecia um curso básico e médio, chegando-se depois ao Bacharel e oferecendo hoje também um Mestrado.

Depois de ser por muitos anos o único meio de formação de pastores, o STBI, por causa do tamanho de nosso país e também das necessidades locais, houve uma descentralização do ensino. Extensões foram abertas e fechadas. Atualmente, além de Campinas, funcionam seminários ligados à Campinas em São Paulo, Feira de Santana, Guanambi e Esteio.

D. MINISTÉRIO FEMININO

Uma das razões do “racha” na Suécia foi a valorização dada por John Ongman ao papel desempenhado pela mulher na Obra de Deus. Nossa missão foi uma das pioneiras no envio de missionárias que agiram como verdadeiras pastoras. Inclusive na década de 1960 já se aceitavam mulheres no ministério pastoral na Suécia.

Aqui no Brasil no início dos anos 90 foram ordenadas as primeiras mulheres batistas independentes ao ministério pastoral, prática hoje muito comum e plenamente aceita em toda denominação.

E. UMA DENOMINAÇÃO PENTECOSTAL

Segundo o missionário Nils Angelim, pioneiro na educação teológica e mestre reconhecido na história Batista Independente, o batismo no Espírito Santo “é uma experiência distinta e subseqüente à obra da regeneração, prometida a todo o crente”. Como podemos ver, nossa origem, desde a Suécia até o primeiro “Princípios de Nossa Fé”, mostra claramente uma opção pentecostal. Em nome de certa moderação, deixamos, muitas vezes, esse ardor ser substituído por regras e um certo legalismo frio. Precisamos resgatar esse “fogo” que não ficava apenas no barulho mas que fazia arder o coração das pessoas pelas vidas perdidas, criando um fervor evangelístico e missionário.

F. A DIVISÃO CONSERVADORA

A história do homem está recheada de separações e divisões. Infelizmente parece que não sabemos viver com pessoas que pensam diferente sem querer muda-las. Devido à divergências na área de usos e costumes, um grupo de igrejas resolve, depois de anos de discussões e pressões, tomar um caminho próprio, criando uma estrutura a parte, com diretoria própria. Na Assembléia Geral da CIBI em 1985 um grupo de 21 pastores destas igrejas são desligados da UMBI. Esses pastores, juntamente com outros que os apoiavam ou pelo menos, pensavam da mesma forma, forma a União Conservadora Batista Independente, hoje Convenção Batista Conservadora.

Considerando que o princípio básico da igreja Batista é a autonomia da igreja local é interessante ver um grupo querendo impor regras a todos. Devemos sempre procurar o que nos une, deixando as práticas que não envolvem questões essenciais da fé, para cada igreja decidir.

Apenas como lição que a história sempre nos reserva... deste grupo já surgiu um terceiro chamado Missão Batista Salém, além de várias igrejas e pastores os haverem abandonado e alguns, inclusive, retornado ao meio Batista Independente. É bom refletir.

G. AS CONVENÇÕES REGIONAIS

A estrutura da CIBI era de uma administração centralizada em Campinas, com secretarias regionais. A dimensão do país e também a eficiência administrativa reclamava uma estrutura descentralizada, em que as regiões com autonomia pudessem investir mais em sua própria casa, sem que isso, no entanto, representasse um desligamento da CIBI.

F. MISSÕES NACIONAIS

Desde 1987 quando foram organizadas as Convenções Regionais, a maior parte do trabalho missionário nacional passou para a responsabilidade e administração das mesmas, ficando a CIBI nacional voltada para os projetos entre indígenas ou para as regiões onde não existe uma Convenção Regional que possa  coordenar os mesmos.

Esta divisão geográfica teve por finalidade facilitar a contextualização e também o melhor acompanhamento dos projetos missionários, tendo em vista que a proximidade geográfica, cria condições mais apropriadas para a supervisão e desenvolvimento dos mesmos.

Financeiramente ficou convencionada a divisão das entradas correspondentes ao dízimos dos dízimos e ofertas nacionais de missões, sendo 50% dos valores arrecadados para a CIBI e 50% na própria região. Além disso, a CIBI participa dos referidos projetos através de subvenções mensais, minimizando os custos regionais e oferecendo apoio espiritual, treinamento e infra-estrutura.

Atualmente a CIBI desenvolve em parceria com as igrejas o projeto intitulado CIBI 2010, o qual prevê um crescimento de 50% no número de igrejas nos próximos quatro anos.

Missões entre os índios

Segundo os pastores Hamilton Horácio Vasques e Raimundo Fernandes, a tribo ticuna conta hoje com uma população em torno de 60 mil índios incluindo os que habitam no Brasil, região do Amazonas, Peru e Colômbia, e que estão espalhados por cerca de 130 aldeias, localizadas às margens do rio Solimões. Destas 60 tribos, 40 são evangelizadas.

O trabalho Batista Independente entre os índios Ticunas começou em 1975 através do Pastor Pedro Vargas, oficial do Exército, que se transferiu do Sul do País para a cidade de Benjamim Constant, para trabalhar especificamente na área de saúde. Em certa manhã, o índio ticuna, Alfredo Soares, bateu à porta da casa do Pastor Pedro Vargas pedindo um copo de água. Após ser servido, iniciaram uma conversa em torno da Palavra de Deus. O índio ficou surpreso pelo fato de um homem branco haver lhe dado tanta atenção, voltando para a aldeia muito feliz e sorridente, deixando com o Pastor Pedro um convite para visitar aquela aldeia.

CONCLUSÃO:

Certamente esse não é um material definitivo. Existe muito material que deve ser analisado e pesquisado. No entanto, ao estudarmos a história de nossa denominação, devemos refletir sobre nossa postura e principalmente sobre o nosso procedimento para o futuro. Se queremos uma denominação forte alguns pontos devem ficar claros:

1. Preparo de líderes. Não podemos cair no erro do passado em relegar a educação a um segundo plano. Isto exige tempo, disposição por parte da liderança atual tanto das igrejas como da denominação.

2. Priorizar os pontos que nos convergem e aprender a viver com pontos de vista diferentes; a unidade na diversidade é possível.

3. Recuperar a ênfase evangelística-missionária; esse foi o propósito inicial que resultou no surgimento da denominação; devemos restaurar isso.

4. Uma posição clara quanto a nossa fé; precisamos assumir nosso postura pentecostal, sem que isso traga uma padronização de costumes e formas de culto.


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