Avivalistas do Movimento de Santidade

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RATorrey 220pxR.A. TORREY

Reuben Archer Torrey foi um fiel colaborador de D. L. Moody, trabalhando ao seu lado até a sua morte. Harold H. Fischer observa que Moody nomeou Torrey em 1890 como diretor de seu Instituto de Instrução Bíblica, posteriormente denominado de Instituto Bíblico Moody, na cidade de Chicago. Fischer lembra que Torrey encorajava constantemente o espírito avivalista na congregação. Sendo um homem que cria fervorosamente na oração, ele insistia com o povo a que se entregasse a ela e suplicasse que Deus enviasse o seu Espírito para avivar a sua obra no mundo. Logo, ele se tornaria conhecido como poderoso pregador do Evangelho. Há registros de que Torrey tenha promovido uma reunião de oração por um período de um ano no Instituto Bíblico com o propósito de clamar pelo avivamento.

Torrey foi um poderoso teólogo. As suas obras teriam uma grande influência na formação doutrinária do pentecostalismo clássico. Ele está inserido no contexto dos pregadores restauracionistas. William W. Menzies destaca que “D. L. Moody, R. A. Torrey, A. B. Simpson e uma platéia de outros grandes líderes de reuniões públicas, quase sempre de diversas linhas denominacionais, chamavam as pessoas ao arrependimento e ao Evangelho à moda antiga“. 23 Apesar dele ter deixado um grande legado para a Doutrina Pentecostal, Torrey fez duras críticas ao movimento emergente. Em um de seus textos, ele chegou a acusar o pentecostalismo de “ter sido fundado por um sodomita”. 24 Mas a sua crença no batismo no Espírito Santo, como sendo uma experiência subseqüente ao processo de regeneração serviria como fundamento teológico para os primeiros pentecostais.

A sua obra O Batismo no Espírito Santo, escrita em 1895, tornou-se suporte para a crença pentecostal na doutrina que colocava o batismo no Espírito Santo como uma experiência distinta da regeneração, uma Segunda Bênção. De fato, L. Lovett observa que este livro “encontrou caminho nos corações de muitos líderesholiness, que posteriormente tornou-se proeminente no desenvolvimento do Movimento Pentecostal.

Nesse livro, Torrey faz uma poderosa apologia sobre a doutrina do batismo no Espírito Santo como sendo uma segunda bênção distinta da salvação.

Na página 5 ele afirma: “O batismo no Espírito Santo é uma operação do Espírito Santo, separada e distinta de sua obra regeneradora”. 26 Em seguida, ele justifica a sua crença: “Ser regenerado pelo Espírito Santo é uma coisa, e ser batizado é algo totalmente diferente. É uma outra coisa. Isso está claro em Atos 1.5, onde Jesus disse: “Sereis batizados com o Espírito Santo, não muito depois destes dias”. Até então, ainda não haviam sido “batizados com o Espírito Santo”. Mas já eram homens regenerados. O próprio Senhor Jesus já havia afirmado isso.

Em João 15.3, ele dissera aos mesmos homens: “Vós já estais limpos, pela palavra que vos tenho falado” (comparar isso com Tiago 1.18 e 1Pedro 1.23). E em João 13.10: “Ora, vós estais limpos, mas nem todos”, deixando fora, com a expressão “mas nem todos”, o único homem não-regenerado do grupo apostólico que era Judas Iscariotes (ver João 13.11). Assim sendo, os apóstolos, com exceção de Judas Iscariotes, eram homens regenerados, sem serem ainda “batizados com o Espírito Santo”.

Pelo exposto, torna-se claro que a regeneração é uma coisa e que o batismo com o Espírito Santo é diferente. Uma pessoa pode ser regenerada, e ainda não ter sido batizada com o Espírito Santo. A mesma coisa é evidente em Atos 8.12-16. Encontramos aqui um grupo de crentes já batizados. Não há dúvida de que, naquele grupo de crentes batizados, havia alguns regenerados. Mas o registro informa que quando Pedro e João desceram “oraram por eles para que recebessem o Espírito Santo (porquanto não havia descido sobre nenhum deles)”.

É claro, portanto, que alguém pode ser crente, pode ser homem regenerado, e contudo não ter ainda o batismo no Espírito Santo. Em outras palavras, o batismo com Espírito Santo é algo distinto, e mais do que sua obra regeneradora. Nem todo crente regenerado tem o batismo com o Espírito Santo, embora, segundo veremos adiante, todo homem regenerado pode receber esse batismo. Quem já passou pela obra regeneradora do Espírito Santo, é salvo, todavia, não está preparado para o serviço do Senhor enquanto não tiver recebido o batismo no Espírito Santo”. 27

Esta é a grande contribuição dos avivalistas da Segunda Bênção para o movimento pentecostal. Gary B. McGee observa que a “crença numa Segunda obra da graça não ficou confinada ao círculo metodista”. (…) Embora a Teologia da Reforma haja identificado o batismo no Espírito com a conversão, alguns avivalistas, dentro dessa tradição, aceitavam o conceito de uma Segunda obra da graça para revestir os cristãos com poder do alto. Entre eles, se encontravam Dwight L. Moody e R. A. Torrey. Apesar desse revestimento de poder, acreditavam que a santificação mantinha-se em sua obra progressiva. Outro personagem chave, um ex-presbiteriano, A. B. Simpson, fundador da Aliança Cristã Missionária, cuja forma de pensar teve grande impacto na formação doutrinária da Assembléia de Deus, enfatizava nitidamente o batismo no Espírito Santo. 28

O pentecostalismo apareceu na “plenitude dos tempos” e estes três “gigantes”, representantes do protestantismo histórico, foram usados por Deus para darem a devida sustentação doutrinária.

Por, José Gonçalves – Ministro do Evangelho, articulista, escritor.
Manual do Obreiro (CPAD) – 2006. Fonte: https://pentecostalismo.wordpress.com/2008/03/31/avivalistas-da-segunda-bencao/

BIBLIOGRAFIA

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CAMPOS Jr., Luiz de Castro. Pentecostalismo Sentidos da Palavra divina. Ed. Ática, São Paulo.
CAMPOS Jr., Luiz de Castro. O pentecostalismo. Op. Cit. p.13.
CHAMPLIN, Norman R. Enciclopédia de Bíblia, Teologia e Filosofia. Ed. Candeia.
CAMPOS Jr., Luiz de Castro. O pentecostalismo. Op. Cit. P.16.
CHAMPLIN, Norman R. Enciclopédia de Bíblia, Teologia e Filosofia. Ed. Candeia.
TARRY, Joe E. Avivamento: o propósito eterno de Deus –  dá vitória à confusão ecumênica.
MCGEE, Gary B. In: Teologia Sistemática, uma perspectiva Pentecostal. CPAD, Rio de Janeiro, 1996.
10 ROMEIRO, Paulo. Decepcionados com a graça. Mundo Cristão, São Paulo.
11 SIMPSON, A. B. As quatro dimensões do Evangelho. Editora Betânia, Venda Nova, Minas Gerais.
12 OSBORNE, G. O. In: Enciclopédia Histórico-Teológica da Igreja Cristã. Editora Betânia, Venda Nova, Minas Gerais.
13 OLIVEIRA, Raimundo. A doutrina Pentecostal hoje. CPAD, Rio de Janeiro.
14 The New International Dictionary of Pentecostal Movements.Zondervan, Grand Rapid, Michigan, EUA.
15 KURTIS, A. Kenneth. Os 100 fatos mais importantes da História do Cristianismo. Editora Vida, São Paulo.
16 MILLER, Steve. Liderança espiritual segundo Moody. Editora Vida, São Paulo, SP.
17 FISCHER, Harold A. Avivamentos que avivam. Trad. O. S. Boyer, Pindamonhangaba, SP.
18 MILLER, Steve. Liderança espiritual segundo Moody. Editora Vida, São Paulo, SP.
19 Ibdem.
20 MILLER, Steve. Op. Cit. pág. 72-73.
21 OLIVEIRA, Raimundo. A doutrina Pentecostal hoje. CPAD, Rio de Janeiro. Op. Cit.
22 WHITE, John. Quando o Espírito vem com poder. Op. Cit.
23 MENZIES, William W., Robert P. No poder do Espírito, fundamentos da experiência Pentecostal. Ed. Vida, São Paulo, SP.
24 WHITE, John. Quando Espírito vem com poder. Op. Cit.
25 LOVETT, L. The New International Dictionary of Pentecostal and Charismatic Movements. Zondervan, Grand Rapids, Michigan, USA.
26 TORREY, R. A. O batismo no Espírito Santo. Editora Betânia, Belo Horizonte, Minas Gerais.
27 Ibdem.
28 McGEE, Gary In: Teologia Sistemática, uma perspectiva pentecostal. CPAD, Rio de Janeiro.


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