Avivalistas do Movimento de Santidade

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D.L. MOODY

Dwight L. Moody (1837-1899) foi, sem dúvida alguma, o maior evangelista do século 19. No livro Os 100 Acontecimentos Mais Importantes da História do Cristianismo, Moody ocupa um lugar de destaque. 15 Moody foi um evangelista que não teve educação formal. Ele só freqüentou a escola de uma forma regular por um período de uns quatro a cinco anos. Mas a sua determinação em conquistar seus objetivos fez com que ele superasse sua carência. De família pobre, teve que se dedicar ao trabalho muito cedo. Esse fato seria agravado com a morte de seu pai. Ainda adolescente, ele deixou o convívio familiar para se aventurar na vida.

Não tendo muita qualificação Moody não conseguiu o emprego que desejava, tendo que ir trabalhar com um tio em comércio de sapatos. Embora tenha sido catequizado ainda muito cedo por sua mãe, ele logo esqueceria daquelas preciosas lições dadas por sua genitora. O encontro dele com o Evangelho de uma forma mais consistente aconteceu quando passou a freqüentar uma igreja e a ser visitado por um professor da Escola Dominical. Foi esse professor que viria causar um impacto profundo na vida de Moody. De fato ele testemunhou: “quando eu estava em Boston, costumava freqüentar a Escola Dominical e, certo dia, lembro-me de que meu professor foi até a loja onde eu trabalhava, colocou o braço sobre meus ombros e falou-me de Cristo e da minha alma. Até então, eu não sabia que tinha alma, por isso disse a mim mesmo: É muito estranho. Aqui está um homem que me conhece a tão pouco e chora pelos meus pecados, e eu nunca derramei uma lágrima por ele (…) Pouco tempo depois desse fato passei a fazer parte do Reino de Deus”. 16

Em 1873, Moody em companhia de Ira David Sankey, famoso cantor evangélico, rumara para as ilhas Britânicas onde promoveram poderosas cruzadas evangelísticas. A notícia do enorme sucesso obtido por Moody na terra da rainha logo chegou aos Estados Unidos.

Harold H. Fischer destaca que “após a sua volta, eram assediados por todos os lados por pedidos para realizações de trabalhos. Fez uma campanha no Brooklim na qual a assistência atingiu mais de 5 mil pessoas, e dentro de pouco tempo depois 2 mil pessoas estavam convertidas. A grande e antiga estação ferroviária Pensilvânia, na Filadélfia, foi preparada com assentos para 10 mil pessoas, e apesar do tempo chuvoso, o salão ficou quase lotado na primeira noite. A assistência foi boa, os cultos eram úteis e número de convertidos foi avaliado em 4 mil. 17

Todo esse enorme êxito que Moody obteve em seu trabalho evangelístico é atribuído à sua estreita comunhão com o Espírito Santo. R. A. Torrey, amigo e companheiro por muitos anos, testemunharia mais tarde que: “Muitos perguntaram: Qual é o segredo do sucesso desse homem? É uma curiosidade muito natural. Ele tinha poder. Mas onde ele conseguiu essa estranho poder para conquistar a afeição e a decisão dos homens? Ele soube e nós também podemos saber. Era a unção do Espírito Santo”. 18

Para Moody a experiência com o Espírito Santo era um fato bem definido. Ele também fazia parte da escola dos avivalistas da Segunda Bênção. Steve Miller observa que às vezes nem sempre a doutrina pneumatológica de Moody é entendida, o que tem levado alguns erroneamente a pensarem que ele defendia uma segunda experiência de conversão. As próprias palavras de Moody, no entanto, lançam luz sobre a sua doutrina acerca da Terceira Pessoa da Trindade. “Há uma diferença”. Disse, “entre ser morada do Espírito Santo e deixar-se encher de poder por Ele. O verdadeiro filho de Deus, lavado pelo sangue de Cristo, é o templo ou morada do Espírito Santo. No entanto, o indivíduo pode não ter a plenitude desse poder”.

Moody testemunha que foi em 1871, quando se encontrava na cidade de Nova Iorque, que ele pediu e recebeu a Segunda Bênção: “O tempo todo eu clamava para que Deus me enchesse com o seu Espírito. Então, certo dia, na cidade de Nova Iorque (…) Ah! Que dia! Sou incapaz de descrevê-lo. Raramente falo sobre ele; foi uma experiência sagrada demais para ser mencionada (…). Posso apenas dizer que Deus se revelou a mim e experimentei de tal forma o seu amor e precisei rogar-lhe que retirasse de mim a sua mão. Fui pregar outra vez. Os sermões não foram diferentes; eu não apresentei nenhuma verdade inédita, mas, ainda assim, centenas converteram-se. Não quero voltar a viver como eu viva antes daquela experiência abençoada, nem que me oferecessem o mundo inteiro – ela seria como um grão de areia no oceano (…) há dois períodos bem distintos em minha vida. O primeiro, entre os meses de vida e os 18 e 19 anos, quando nasci do Espírito (…) A maior bênção depois do segundo nascimento aconteceu 16 anos depois, quando recebi a plenitude do Espírito”.

Não há registro que nos permita assegurar que o sinal que o grande evangelista tenha recebido como prova do recebimento da segunda bênção tenha sido o falar em línguas, mas há registros confiáveis que nos asseguram que o dom pentecostal era conhecido por meio de sua pregação.

Rev. R. Boyd, um pastor batista e amigo de D. L. Moody, escreveu em 1875 em seu livro Provas e Triunfos da fé. “Quando cheguei ao Vitória Hall Londres, encontrei a assembléia ardendo em línguas e profetizando. Qual seria a explicação de tão estranho acontecimento? Somente que Moody os estava dirigindo naquela tarde”. 21 Este fato permitiu John White afirmar que “num certo sentido Moody poderia ser classificado como um pregador pré-pentecostal, embora as línguas não possam ser ditas como algo que caracterizou os seus cultos de avivamento. Esse evento, entretanto, indica que a glossolalia às vezes acompanhava a sua pregação”. 22


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