Avivalistas do Movimento de Santidade

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A.B. SIMPSON

Albert Benjamim Simpson (1843-19191) foi classificado como proto-pentecostal devido à afinidade que sua doutrina teve com o movimento emergente da Rua Azusa. De acordo com a obra The New international Dictionary of pentecostal and Charismatic Moviments, Simpson foi o fundador da Aliança Bíblica Missionária e pastor presbiteriano que apascentou diversas igrejas. Em 1881, ele deixou o pastorado da igreja da cidade de Nova Iorque para dirigir um trabalho independente, onde Simpson tinha pretensão de alcançar as massas sem igreja.

O trabalho de Simpson seria amplamente conhecido por meio do termo “Evangelho Quadrangular”, no qual Cristo é visto como Salvador, Santificador, Médico e Rei. Cada um desses termos são explicados com detalhes em sua obra As Quatro Dimensões do Evangelho11

Os historiadores observam que ele foi identificado tanto como pregador, avivalista e um profeta da santidade, que proclamava a necessidade de se viver uma vida mais profunda. Todavia a obra de Simpson não pode ser vista apenas por esse ângulo. Ele também foi um grande fomentador das missões mundiais, escatólogo e teólogo. É um fato que a Teologia Pentecostal bebeu muito da fonte de Simpson.

  1. Nienkirchen observa que a continuidade ideológica entre as doutrinas de Simpson e aquelas esposadas pelos pentecostais podem ser estabelecidas em vários pontos:
  1. Sua interpretação restauracionista da evolução da história da Igreja, desde a Reforma Protestante, salienta a convicção de que a presente Era se conclui com os dias das “últimas chuvas”. Por isso necessitaria ser acompanhada por manifestações sobrenaturais do Espírito Santo, tais como línguas, milagres e profecias remanescentes da “chuva primitiva” no pentecostes (Atos 2). Nienkirchen ainda observa que Simpson exortou os crentes  a orar por aquelas evidências especiais do poder divino típicas dos avivamentos passados.
  2. Simpson se opôs à noção dispensacional de que os dons do Espírito Santo tinham cessado com o fim da era apostólica. Com base em João 2 e 1Coríntios 12, ele entendeu que os dons espirituais teriam continuidade até à Segunda Vinda de Cristo. Nienkirchen ressalta que ao tomar conhecimento dos fenômenos desencadeados na rua Azusa, em 1906, ele reconheceu o valor das línguas na Igreja como “uma expressão de elevado sentimento espiritual e intenso mover do coração”. Mas ele estava consciente do lugar que as línguas ocuparam na Teologia paulina. Para Simpson, Paulo havia colocado esse dom em último lugar por causa dos abusos no seu exercício.
    Para o fundados da Aliança Bíblica Missionária, as línguas poderiam ser conhecidas ou desconhecidas, mas não possuíam um papel evangelístico para os novos pagãos, como criam muitos pentecostais. A sua posição com respeito ao fenômeno da glossolalia, conforme ele mesmo escreveu, era: “Este dom é um entre muitos, e é dado a alguns para benefício de todos.
    Assim a atitude para com o dom de línguas a ser adotada pelo pastor e pela congregação deve ser: “não busquem, não proíbam”.
  3. Como os pentecostais que o seguiram, Simpson estava preparado para usar o padrão da vida espiritual retratada em Atos dos Apóstolos como norma de existencial pela qual a fraqueza da igreja do seu tempo deveria ser medida. Com sua abertura para uma teologia onde o sobrenatural tinha seu lugar, ele queria com isso se precaver do formalismo que havia tomado conta das igrejas.

A doutrina pentecostal fundamentada fortemente nas narrativas de Atos já havia sido prenunciada por Simpson. Os discípulos em Samaria (Atos 19) davam a ele a sustentação de sua doutrina dos dois passos para o início da vida cristã – a regeneração e o enchimento do Espírito Santo.

Posteriormente ele escreveria: “Nascidos no Espírito, nós também devemos ser batizados com o Espírito Santo, e logo viver a vida de Cristo e repetir a sua obra. Deve ser destacado aqui que embora os pentecostais tenham bebido muito da Teologia de Simpson, ele mesmo rejeitava a doutrina pentecostal da evidência inicial. Todavia “o corpo doutrinário de Simpson testemunha uniformemente para a sua concepção do batismo no Espírito como ocorrendo subseqüentemente à regeneração. Iniciado pela leitura de A vida Cristã profunda (1858) de W. E. Bordman, Simpson recebeu o batismo no Espírito Santo em 1874, durante seu segundo pastoreio em Louisville, Kentuchy (EUA). 14

Na teologia de Simpson, observa-se que ele se referia à doutrina da Segunda Bênção de uma forma variada. Era uma “Segunda Bênção”, mas também foi uma “Crise de Santificação”, ou “A unção”, “Selo”, “Enchimento do Espírito” ou ainda “Cristo no Interior”.

Por último, deve ser destacado que apesar da grande influência que a Teologia de Simpson incidiu ao pentecostalismo, o próprio Simpson fez pesadas críticas ao Movimento Pentecostal. Em um documento enviado à CMA, em 1908, ele acusou a doutrina pentecostal da evidência inicial de focalizar as manifestações espirituais em detrimento de uma vida devocional mais profunda com Deus e reduzir o zelo evangelístico da igreja.


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