A ansiedade e nossos inéditos viáveis

Mas eu, quando estiver com medo, confiarei em ti”. Salmos 56.2 - Na língua grega, ansiedade significa estrangulamento, cortar o fôlego, sufocar, tirar o oxigênio. Podemos constatar alguns males que a ansiedade pode produzir na vida das pessoas, tais como, insegurança, sofrimento, desestabilidade emocional, desânimo, etc.

A geração atual desenvolveu um perfil que não sabe dar o “time” correto para os acontecimentos. Na verdade, as vezes somos os maiores “culpados” quando os eventos que gostaríamos que acontecessem em nossas vidas, demoram um pouco mais para se realizarem ou cumprirem.

Viver desafios é uma das maiores qualidades do ser humano, e isso o incentiva, anima e faz com que as expectativas em torno de novas possibilidades nos motivem a avançar e superar cada novo desafio. Todavia, precisamos pensar nas motivações que nos impulsionam a pensar e projetar esses desafios, ou quem sabe, indo um pouco mais a fundo nessa questão, deveríamos pensar nos recursos e possibilidades que temos a nossa disposição para estabelecermos tais desafios.

É admirável como algumas pessoas conseguem ter a capacidade de sonhar e projetar modelos de desafios a serem alcançados, e muitas vezes, quando estamos fora do contexto de vida dessas pessoas, estabelecemos uma crítica negativa que não nos permite enxergar as possibilidades que determinadas pessoas parecem ter tão nítidas a sua frente.

O problema muitas vezes está na factibilidade de alcance desses desafios. Talvez nesses casos seja interessante podermos discernir o que é um projeto (sonho), ou aquilo que é um delírio (pesadelo).

É muito interessante pensarmos o real sentido da palavra “Utopia”.

Utilizamos a palavra Utopia para falar de impossibilidade, algo que não vai levar a lugar nenhum, mas ao contrário disso, utopia não é impossibilidade, porque topos = lugar e U em grego é negação para tempo e não para lugar. Então o uso correto de utopia deve ser para definir o Inédito viável, aquilo que neste tempo ainda não é mas pode ser. Por isso a expressão Utopia, ao invés de significar “lugar nenhum”, “impossível”, ela significa “ainda não”. Eu e você temos os nossos “ainda não”, ou seja, nossos inéditos viáveis.

O estabelecimento de nossos projetos de vida pode ser o ambiente para registrarmos as nossas utopias, o inédito viável, onde ficam os nossos sonhos. Mas não confunda sonho com delírio.

Por exemplo:

“Eu sonho com o dia em que toda a minha família será alcançada para Cristo.

Eu sonho com o dia em que a minha igreja terá autonomia financeira para ter a melhor EBD de todos os tempos.

Eu sonho em sem o melhor goleiro de futebol do mundo em 2020. Isso é delírio. Eu não tenho mais idade, não tenho vigor, e mesmo que entrasse num sério de programas de boa forma ou minha igreja levantasse um grande clamor de 40 dias por um milagre, isso jamais acontecerá. Eu sei que isso é delírio”.

Mas e o que tem isso a ver com ansiedade?

Como citado acima, os desafios são muito interessantes e com certeza criam em nós uma certa dose de motivação. Mas temos que ter muito claro que estes desafios precisam ser projetados de tal forma que tenhamos alguma possibilidade factível de alcançá-los, e que não sejam tão elevados que acabem consumindo todas as nossas forças e foco, a tal ponto de perdermos a nossa capacidade de controle emocional, principalmente face ao eminente “fracasso” ou que venhamos a necessitar de tanto investimento que percamos o sentido da vida, ou das demais coisas e possibilidades dela.

Tanto na vida particular quanto eclesial, precisamos aprender a controlar nossas emoções, muito especialmente aquelas que nos provocam aos grandes desafios. Vivê-los e poder realiza-los é sempre o nosso maior desejo e o resultado nesse caso, é sempre animador. Todavia, o mais prudente é apresenta-los diante de Deus para que possamos ter muito clara a Sua vontade que é sempre “boa, perfeita e agradável”.

Estar ou viver ansioso diante de determinado desafio, não mudará nem influenciará positivamente os resultados que esperamos alcançar. Muito pelo contrário, a ansiedade poderá ser um fator negativo que impactará e prejudicará nossas ações, limitando-as ou condicionando-as ao ponto de frustrar nossas ações com reflexos indesejados nos resultados.

Projetos humanos são factíveis e propensos a não obterem o sucesso esperado, mas quanto colocamos nossos anseios e desafios nas mãos de Deus, os resultados, mesmo que seguindo estratégias e caminhos diferentes daqueles que imaginamos, serão sempre os melhores.

Que Deus nos ajude a vencermos a ansiedade e possamos projetar os nossos “inéditos viáveis” com os pés no chão e o pensamento no alto.


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