Neemias comentado

 

2.1 — Nisã corresponde a março-abril em nosso calendário. Triste diante dele. Quatro meses depois de ouvir o relatório de seu irmão Hanani sobre Jerusalém, Neemias ainda estava sofrendo por causa das condições da cidade.

 

2.2 — O rei percebeu a expressão melancólica de Neemias e concluiu que esta era causada pela tristeza de coração — e não por doença física. Temi muito em grande maneira. Os monarcas persas acreditavam que sua presença era suficiente para qualquer pessoa ficar feliz. Ainda assim, Neemias estava pronto para pedir que o imperador permitisse sua ida a Jerusalém, sugerindo que preferia outro lugar a estar na presença do rei. Além de tudo, foi o próprio Artaxerxes quem, anteriormente, ordenou a paralisação dos trabalhos no muro (Ed 4.21-23). Neemias tinha motivos para temer.

 

2.3 — Viva o rei para sempre. Ao dirigir-se ao governante com o devido respeito, Neemias contou sobre o fardo que tinha em seu coração. O lugar dos sepulcros de meus pais. É possível que esta frase tenha sido dita para chamar a atenção do rei. Em várias culturas asiáticas, o vínculo com os lugares em que os ancestrais de alguém eram sepultados era assunto de grande importância.

 

2.4 — O rei. Neemias, embora estivesse diante do rei, nunca deixou de estar na presença do verdadeiro Rei dos reis.

 

2.5 — Após sua oração silenciosa (v. 4), Neemias falou ousadamente, pedindo permissão para deixar o palácio real e viajar para Jerusalém, a fim de reconstruir o muro da cidade. Mais uma vez, ele mencionou os sepulcros de seus pais (v. 3). Apesar de não ter sido essa a sua principal preocupação, provavelmente foi algo que ele pensou ser importante para o rei.

 

2.6 — A rainha. Por citá-la, é possível que Neemias achasse a presença desta importante na decisão do governante. Talvez ela demonstrasse boa vontade em relação a Neemias e ele tivesse esperado por uma oportunidade em que a rainha estivesse presente (v. 1).

 

Quanto durará a tua viagem, e quando voltarás.’ Em resposta ao pedido de Neemias (v. 5), Artaxerxes poderia ter mandado executá-lo imediatamente ou despedido o copeiro achando engraçada tal situação. No entanto, suas perguntas indicavam que o pedido já havia sido atendido. Apontando-lhe eu um certo tempo. O fato de Neemias ter respondido rapidamente ao pedido com detalhes específicos indica que ele estava planejando a viagem.

 

E aprouve ao rei enviar-me. O rei não só enviou Neemias a Jerusalém como fez dele governador (Ne 5.14). Com a possibilidade de um tumulto no Egito e no Chipre, o rei pode ter decidido que, afinal de contas, Jerusalém precisava de um muro (Ed 4.21).

 

2.7 — Neemias sabia que precisava de um salvo-conduto para sua viagem a Judá. Então, solicitou ao rei cartas para apresentar aos governadores dalém do rio Eufrates.

 

2.8 — Os planos de Neemias eram detalhados: ele pediu ao rei permissão para ir para Jerusalém (v. 5), cartas de salvo-conduto para apresentar aos governadores dalém do rio (v. 7) e, ainda, provisões. Ele requisitou uma carta endereçada a A safe, o homem responsável pelo jardim do rei, a fim de que ele pudesse obter material para três projetos: (1) as vigas das portas da cidadela do templo; (2) o muro da cidade e (3) a sua própria casa. Jerusalém possuía muita pedra calcária para edificações, mas a madeira necessária para tetos e outras partes de grandes projetos de construção era escassa. A cidadela era uma fortaleza situada a noroeste do templo, de onde se podia contemplar e proteger a área do templo.

 

Segundo a boa mão de Deus. O rei, graciosamente, concedeu ao seu servo tudo o que ele havia pedido, mas este sabia que a principal Fonte de suas provisões era Deus.

 

2.9 — Chefes do exército e cavaleiros. Neemias recebeu escolta militar durante seu regresso a Jerusalém. Em 458 a.C., Esdras, que tinha viajado para esta cidade com 1.800 pessoas levando valiosos tesouros, havia recusado uma proteção do exército (Ed 8.22). Porém, 14 anos mais tarde, Neemias fez a mesma viagem com um grupo menor e sem transportar nenhum objeto valioso, mas, mesmo assim, Artaxerxes enviou-lhe uma escolta.

 

2.10,11 — Como Neemias regressou a Jerusalém com uma carga menor do que a que Esdras transportou em sua viagem, supõe-se que ele tenha feito o caminho mais curto de Susã para Tadmor atravessando Damasco e seguindo, então, pelo vale do Jordão para Jericó. Ele e seu grupo teriam, portanto, evitado a comunidade samaritana e chegado a Jerusalém sem nenhuma oposição. Se esta foi a intenção deles, não funcionou. Sambalate era o governador de Samaria, e horonita refere-se a Bete-Horom, sua cidade. Tobias talvez fosse secretário e conselheiro particular de Sambalate.

 

Amonita. Na época de Neemias, os amonitas (Gn 19.38) tinham avançado para o oeste na terra deixada desocupada por Judá. A possibilidade de uma comunidade judaica forte em uma nova Jerusalém fortificada pareceu algo ameaçador para o domínio amonita.

 

2.12-15 — Como Neemias chegou a Jerusalém vindo do norte, ele teria avistado aquele lado do muro ao aproximar-se da cidade. Se ele vivia na área sudoeste dela, teria tido tempo suficiente para observar o muro ocidental. Neemias parece ter ficado preocupado com a inspeção dos muros sul e oriental de Jerusalém e, com alguns poucos servos, atravessou a Porta do Vale para o vale de Hinom. Então, andou ao longo do muro sul. Quando as pilhas de pedra e os montes de entulho obstruíram sua passagem, ele desmontou de seu animal e continuou o trajeto a pé até ao vale de Cedrom a fim de observar o muro oriental.

 

2.16 — E não souberam os magistrados. As únicas pessoas que tinham conhecimento dos planos de Neemias eram os poucos homens que com ele haviam feito a secreta viagem noturna (v. 12).

 

2.17 — Neemias encorajou todo o povo a ajudar na reconstrução dos muros da cidade.

 

2.18 — Neemias enfatizou que não era sua a ideia de reconstruir o muro de Jerusalém. Antes, o plano chegou até ele vindo do Senhor (v. 8,12). Em resposta ao desafio deste servo de Deus, o povo declarou: Levantemo-nos e edifiquemos.

 

2.19 — No versículo dez, Neemias menciona dois homens que estavam descontentes com a sua chegada: Sambalate e Tobias. Aqui, o número de opositores aumenta para três. Gesém era o líder de uma companhia de tropas árabes mantida por Sambalate. No versículo dez, os oponentes de Neemias estavam sofrendo; aqui, eles zombaram e acusaram Neemias de ter falsos motivos e de tramar uma rebelião contra o rei. A mesma acusação havia sido feita contra o povo judeu na época de Zorobabel (Ed 4).

 

2.20 — Neemias ignorou seus adversários — quando estes o acusaram de rebelar-se contra o rei — e afirmou que Deus estava envolvido no seu trabalho. O motivo de Neemias não era a rebelião contra Artaxerxes, mas a submissão ao Senhor.

 

Vós não tendes parte. Neemias ressaltou que os samaritanos e os estrangeiros não tinham lugar em Jerusalém (Ed 4-3).


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