Neemias comentado

Neemias 13

13.1-31 — Esse capítulo traz uma espécie de final surpreendente para o livro. A fim de entendê-lo, deve-se saber que, entre os capítulos 12 e 13, Neemias retornou para a Pérsia. À primeira vista, a frase naquele dia (v.l) pode parecer que faz referência ao dia da dedicação descrito há pouco. Mas os versículos 6 e 7 tornam isso impossível, assim como o versículo 10, o qual declara que, naquele dia do capítulo 13, os levitas não estavam recebendo suas porções, apesar de que as tinham recebido na época da dedicação (Ne 12.47). Então, Neemias retomou para a Pérsia entre os capítulos 12 e 13 e, naquele dia após o seu regresso, descobriu o que passou a ser o final surpreendente desse livro: aquele povo devoto e dedicado tinha tropeçado em tentação, caído em pecado, e permanecia em desobediência. Esse capítulo lida com cinco problemas: estrangeiros (v. 1-3); o templo (v. 4-9); os levitas (v. 10-14); o Sábado (v. 15-22) e o casamento (v. 23-31). Mais especificamente, registra a separação dos estrangeiros, a purificação do templo, a restauração dos levitas, a aplicação do Sábado e a condenação dos casamentos mistos.

13.1-3 — A primeira área de apostasia para o povo foi o seu relacionamento com estrangeiros. Embora o cap. 9.2 declare que a geração de Israel se apartou de todos os estranhos, o povo, mais uma vez, permitiu estrangeiros em sua congregação. Relacionamentos entre o povo judeu e os não judeus na terra fizeram com que os israelitas violassem o mandamento divino (1 Co 15.33).

13.4-9 — A segunda maior área de apostasia nesse capítulo (v.1-3) foi o fato de o sumo sacerdote ter permitido que um inimigo do Senhor vivesse na Casa de Deus. Eliasibe era o sumo sacerdote (v. 4,28). Tobias foi um dos homens que tentou interromper a construção do muro (Ne 2.10,19; 4.3; 6.1-12,17,19). Eliasibe permitiu que Tobias se instalasse na câmara grande do templo que havia sido usada para armazenar grãos e outros produtos. N a verdade, Tobias havia recebido acesso a vários cômodos do templo.

13.6,7 — Neemias retorna para Jerusalém.

 13.8,9 — Quando Neemias retornou para Jerusalém, imediatamente iniciou as reformas. Ele removeu a mobília de Tobias da câmara e ordenou que ela fosse purificada. Após sua lavagem, limpeza e aspersão com sangue, a câmara foi mais uma vez ocupada com grãos e outros itens que haviam estado lá anteriormente.

13.10,11 — O termo contender é muito usado pelos profetas para se dirigirem a Deus e apresentarem a Ele um caso legal contra Seu povo errante (Jr 2.9). Neemias estava agindo como um profeta, levando ao Senhor um caso legal contra um apóstata; ele contendeu por aquilo que era certo. Observe a pergunta que ele fez: Por que se desamparou a Casa de Deus?

13.12,13 — Então, todo o Judá trouxe os dízimos. As dádivas que deveriam ter sido entregues antes finalmente foram sendo levadas pelo povo. Tesoureiros. Neemias escolheu homens fiéis para esta função (Ne 7.2; 1 Co 4.2; 2 Tm 2.2), para ter certeza de que a distribuição seria feita de forma justa.

13.14 — Normalmente, a oração é oferecida ao Senhor antes ou durante um acontecimento. Nesse caso, a oração de Neemias seguiu suas beneficências. Neemias estava dizendo: “o que eu fiz, fiz de acordo com a Tua vontade; agora, preserva-me e protege-me”.

13.15-22 — Outra dificuldade que Neemias enfrentou diz respeito ao Sábado. Nesse dia da semana, o povo judeu em Judá estava trabalhando; as pessoas estavam comprando e vendendo mantimentos em Jerusalém. Tírios levavam peixe e outras mercadorias para serem vendidas tanto em Judá quanto em Jerusalém. Essas eram violações ao que declara Exodo 20.8-11 e ao juramento do próprio povo (Ne 10.31), que havia colocado suas transações comerciais à frente da obediência ao mandamento divino, segundo o qual aquele deveria ser dia de descanso.

13.19-22 — Neemias mandou que as portas fossem fechadas de sexta à noite até sábado à noite, colocando até mesmo seus próprios servos como guardas. Quando os negociantes e os vendedores ficaram do lado de fora do muro, Neemias avisou-lhes que, se ficassem por ali novamente no Sábado, ele mesmo iria atacá-los. Temerosos pela ameaça do exército de um só homem, os negociantes partiram.

13.23,24 — O problema de os judeus se casarem com estrangeiros tinha sido tratado 30 anos antes, por Esdras (Ed 9.1-4). O povo, então, tinha feito um concerto, jurando que nunca mais faria isso (Ne 10.30). Nesse caso, Neemias encontrou filhos resultantes dos casamentos mistos, os quais não sabiam falar hebraico, a língua das Escrituras. Sem o conhecimento do hebraico, essas crianças não podiam aprender a Lei em casa, nem adorar o Senhor no santo templo. Os judeus estavam criando descendentes que não conheciam o Deus vivo nem o adoravam.

13.25-27 — O ataque de Neemias aos judeus que se casaram com não judeus foi confrontador, direto e, até mesmo, brutal. Contendi com eles, e os amaldiçoei, e espanquei alguns deles, e lhes arranquei os cabelos. É inquietante ler essa lista de verbos e imaginar a cena. Essas não foram as observações imparciais de alguém apresentando um seminário. Neemias usou tudo o que podia, inclusive suas mãos, para forçar a obediência à Lei.

E os fiz jurar. Neemias os forçou a cumprir a vontade do Altíssimo nesse assunto; afinal, esse foi, no princípio, o principal motivo que levou Israel ao cativeiro. Neemias não podia, simplesmente, permitir que um desastre assim voltasse a acontecer.

Salomão. Até mesmo esse rei, apesar de sua grandeza e do amor de Deus por ele, cometeu pecado em grande medida nesse aspecto (1 Rs 11.4-8). Como, então, com as grandes lições do passado tão claras diante deles, os israelitas podiam repetir essas transgressões?

13.28,29 — Pelo que o afugentei de mim. Essa ação foi contra o mais proeminente ofensor, o neto do sumo sacerdote Eliasibe. Este jovem tinha casado com a filha de Sambalate (Ne 2.10), o governador de Samaria e o arqui-inimigo do povo judeu. O matrimônio foi particularmente ofensivo porque formava uma aliança traiçoeira com os adversários de Israel e comprometia a pureza do sumo sacerdócio (cap. 12). Por causa da seriedade dessa ofensa, Neemias agiu de forma dramática: ele expulsou o jovem da comunidade, orando para que Deus se lembrasse dos que tinham desonrado o sacerdócio.

13.30,31 — Assim, os alimpei de todos os estranhos. O testemunho de Neemias foi fazer tudo o que sabia para promover a justiça no sacerdócio e entre os levitas, incluindo as suas ofertas e o seu serviço. As últimas palavras de Neemias registradas (5.19) — lembra-te de mim para o bem — poderiam servir como as últimas palavras de qualquer pessoa de fé.


Imprimir   Email
Encontrou um erro de digitação? Por favor, selecione-o e pressione Ctrl + Enter.